Lisboa, 27 de Janeiro de 2002

As próximas eleições constituem uma oportunidade para dar força à exigência de uma nova política para Portugal. Uma oportunidade para, pelo reforço da votação na CDU e do número dos seus deputados, dar corpo e expressão a uma inequívoca vontade de mudança.

Está-nos assim colocado, a todos e a cada um, o desafio de dar resposta a uma batalha política de iniludível importância e de a transformar num momento capaz de dar corpo à afirmação de uma política alternativa e de uma alternativa de esquerda.

Temos todos consciência das exigentes e complexas respostas políticas e eleitorais que seremos chamados a dar nesta batalha.

Uma batalha política que se apresenta não só mais exigente que em outros momentos mas também de maior exigência se comparada com a intervenção de outros.

Mais exigente que em outros momentos pela conjuntura e o quadro político em que são preparadas e realizadas. Uma conjuntura marcada pelo peso dos resultados das eleições autárquicas recentes, das leituras distorcidas e dos processos que sobre eles se produziram, e pela evidente escassez de tempo necessário para construir e organizar uma campanha intensa e mobilizadora.

Uma campanha que torna praticamente coincidentes a tarefa de organizar a intervenção eleitoral, preparar os meios que a suportam, mobilizar a organização do Partido e desenvolver a acção eleitoral e o esclarecimento e convencimento do eleitorado tornando quase indistintas as fases de pré-campanha e campanha tal como as temos conhecido e concebido em eleições anteriores.

Uma campanha que se nos coloca de forma mais exigente que a outros pela óbvia razão de que não dispondo de meios idênticos, enfrentando uma clara desproporção de recursos e não beneficiando da benévola cobertura informativa que será dedicada a outros mais exige, num período de tempo que escasseia, uma intensa campanha esclarecedora e de massas, assente no contacto directo, na proximidades aos trabalhadores e à população, no esforço de esclarecimento e convencimento da natureza e objectivos das eleições, da importância do voto na CDU e nas razões de apoio ás nossas propostas e projecto.

Uma campanha que tem ser desde logo chamada não apenas a esclarecer e divulgar as nossas propostas mas também a dar resposta e repor a verdade sobre as muitas, velhas e novas, mistificações que desde já se erguem no limiar do debate pré eleitoral.

Uma campanha que esclarecedora e pacientemente será chamada a recordar que nestas eleições se decide não a eleição de um qualquer primeiro-ministro mas sim a eleição de 230 deputados, esclarecimento essencial para não deixar atrelar a disposição de voto de milhares de eleitores a uma simplificação orientada para alimentar o chamado voto útil.

Uma campanha que esclarecedora e convincentemente será chamada a recordar que o voto não deve ser decidido em função da mera resposta à pergunta de saber quem ganha ou qual o partido mais votado, em detrimento da questão decisiva que é a de saber quantos deputados é que cada partido elege e que maiorias se formam na Assembleia da República.

Uma campanha que esclarecedora e convincentemente demonstre, perante a argumentação que tendenciosamente pretende identificar o objectivo da derrota da direita ao voto no PS, que todos os votos na CDU contam para derrotar a direita, com a vantagem de contarem também ao contrário de outros para não dar suporte a uma política de direita.

Uma campanha que esclarecedoramente dê combate e reduza a margem de sucesso à operação destinada a fixar o debate no vago objectivo de uma alegada disputa esquerda/direita, assim definida por uma conveniente arrumação de circunstância com meros fins eleitorais favoráveis ao PS, e sem atender aos conteúdos das propostas e ao valor distintivo de cada projecto político em presença. Tudo vendido à margem da comprometedora prática política e governativa de cada um que à força se pretende apagar da memória e arrumar na arrecadação das traseiras para não destoar das fachadas retocadas.

Uma campanha que convictamente deixe claro a todos os portugueses que a mais importante questão a que as próximas eleições terão de responder é a de saber se vai continuar uma política de direita, reassumida pelo PS ou retomada pelo PSD, ou se se abre caminho a uma alternativa e uma política de esquerda, pela concretização de um sólido reforço eleitoral do PCP e da CDU.

A realização deste nosso encontro, a exemplo de todos os outros que têm antecedido as principais batalhas eleitorais, assume uma significativa importância. Dele se espera, ainda que com evidentes limitações de tempo, pela participação, reflexão e opinião individual e colectiva que contribua para identificar as linhas gerais de orientação da nossa campanha, para sublinhar as ideias essenciais que dêem suporte à afirmação do PCP e da CDU como elemento essencial à construção de uma nova política e para lançar a partir da sua realização uma dinâmica campanha eleitoral, mobilizadora de vontades e energias, assente na participação de milhares de membros do Partido e de activistas e apoiantes da CDU.

Uma campanha que tem de assentar num alargado esforço de esclarecimento que nos leve até onde as pessoas estão, privilegiando na programação as iniciativas de contacto directo, os porta a porta, as sessões de esclarecimento, as idas à porta das empresas, aos centros de dia.

Uma campanha que dê sequência ás acções que vimos realizando junto dos trabalhadores e das empresas, assegurando hoje aquele reencontro com momentos anteriores em que não por razões de apelo ao voto estivemos com os seus problemas, aspirações e direitos.

Uma campanha que nos aproxime dos reformados e idosos e da suas aspirações a uma vida melhor, que nos leve junto dos jovens e dos seus problemas e reclamações, que leve as nossas propostas e o testemunho da nossa acção em defesa dos agricultores, dos pequenos e médios empresários e de outras camadas da população.

Uma campanha capaz de divulgar a natureza distintiva das nossas propostas, do conteúdo dos eixos estruturantes de política que o PCP propõe e do firme compromisso que ele representa perante os trabalhadores, o povo e o país.

Uma campanha que com nitidez mostre que a política de esquerda que o PCP propõe se assume em clara ruptura com a continuada política de direita prosseguida nos últimos 16 anos pelos governos do PS e do PSD.

Uma campanha que deve privilegiar a divulgação das nossas propostas e a valorização do nosso património de trabalho e intervenção mas que também de ser chamada a não deixar apagar da memória o passado mais ou menos recente, a acção governativa e as responsabilidades políticas concretas de cada partido e as suas consequências para o país.

Todos estamos em condições de avaliar as dificuldades da batalha que vamos enfrentar e os obstáculos a vencer.

Mas essas são razões para reforçar a indispensável confiança com que temos que enfrentar estas eleições.

Uma afirmação de confiança não para ser tomada como uma afirmação gratuita ou para ser transformada numa qualquer fixação mensurável de objectivo eleitoral a cobrar posteriormente, mas sim como uma manifestação legitima fundada na convicção da importância e da necessidade de um resultado que se traduza no reforço da CDU e da sua votação como condição indispensável para abrir caminho a uma nova política e a uma alternativa de esquerda.

Aqui estamos a partir deste nosso Encontro dispostos a contrariar ondas de infundada descrença e pessimismo alimentadas pelo peso de sondagens, de análises tendenciosas e de algumas profecias.

Aqui estamos dispostos a não permitir que uma assumida consciência das dificuldades não se transforme num sentimento paralisante de fatalidade.
E daqui sairemos dispostos a afirmar a nossa mais viva determinação em travar com iniciativa, ousadia e confiança uma batalha de inegável importância, com consciência de que ela constitui um momento mais entre os muitos outros que o Partido continuará a ser chamado na luta pela emancipação dos trabalhadores, por uma vida melhor e por uma sociedade mais justa