Sobre as consequências
da utilização de munições com urânio
empobrecido
que inclui a proposta de uma moratória
sobre a utilização de armamento com urânio
Resolução do Parlamento Europeu
25 de Janeiro de 2001
O Parlamento Europeu,
A. Considerando que em diversos países
europeus se verifica uma preocupação crescente com as consequências
da exposição às radiações e da inalação
de poeiras tóxicas resultantes da utilização de armas
com urânio empobrecido de que seriam vítimas alguns soldados
que participaram em operações militares na ex?Jugoslávia
e, nomeadamente, na Bósnia, em 1995, e no Kosovo, em 1999,
B. Considerando que até ao momento não
há provas clínicas nem estatísticas claras de uma relação
entre a utilização de urânio empobrecido nas munições
e a ocorrência de leucemia e outras formas de cancro, bem como outras
doenças entre os militares e agentes da polícia; considerando
que, caso seja apurada uma relação de causa/efeito entre a utilização
destas armas e os problemas de saúde constatados, justificar-se-ão
então sérias preocupações com a saúde das
populações civis nas zonas em questão,
C. Considerando que a maior parte dos governos dos Estados envolvidos
enviou equipas de investigação à região e solicitou
a convocação urgente dos órgãos da NATO a fim
de obter mais informações sobre a utilização de
munições de urânio empobrecido e sobre as zonas?alvo;
considerando, além disso, que o Programa das Nações Unidas
para o Ambiente (PNUA), a pedido de Kofi Annan, Secretário?Geral das
Nações Unidas, deu início a uma investigação
sobre esta questão no Kosovo,
D. Considerando que a informação facultada pelos relatórios
apresentados, incluindo os das Nações Unidas, é ainda
incompleta, e que é necessário que haja um intercâmbio
de informação mais completo no seio da NATO, para o qual as
autoridades dos Estados Unidos deveriam contribuir activamente; considerando,
contudo, que o relatório preliminar do PNUA recomenda desde já
que os locais em questão no Kosovo sejam isolados e que sejam feitos
exames médicos às populações vizinhas,
E. Considerando que a Agência Internacional da Energia Atómica
se mostrou extremamente preocupada, tendo considerado essencial levar a cabo
um estudo sobre as zonas em que foram utilizadas munições com
urânio empobrecido e sobre as pessoas que estiveram em contacto com
essas armas; considerando que a Agência apoia as medidas de precaução
solicitadas pelo PNUA,
F. Considerando que é necessária uma investigação
aprofundada de todas as consequências para os militares, a população
civil e o ambiente das acções militares aquando do conflito
na Bósnia e no Kosovo,
G. Considerando que, até ao momento,
se encontram em investigação na Itália, na Bélgica,
em Portugal e na Espanha casos de soldados que morreram, estão moribundos
ou gravemente doentes, alegadamente em resultado da sua exposição
aos efeitos do urânio empobrecido,
H. Considerando a recente declaração
do Presidente Romano Prodi de que a Comissão está particularmente
preocupada com o impacto de anos de conflito na saúde e no ambiente
nos Balcãs e que foi solicitado aos serviços da Comissão
que procedessem à recolha e análise de toda e qualquer informação
relevante sobre a situação na região,
I. Considerando que a sua Comissão
do Meio Ambiente solicitou ao STOA que realizasse um estudo independente sobre
os efeitos da utilização do urânio empobrecido no meio
ambiente e na saúde,
1. Solicita ao Conselho e aos Estados?Membros que promovam um debate claro e transparente sobre esta questão no âmbito das iniciativas ligadas à definição da nova política de segurança e de defesa da União, que estudem com urgência esta questão e tomem todas as medidas que possam ser necessárias para proteger a saúde pública e o meio ambiente;
2. Solicita ao Conselho e aos Estados?Membros que criem um grupo de trabalho médico europeu independente encarregado de examinar as questões resultantes da possível relação entre a utilização de munições com urânio empobrecido e os casos de morte e de doença de soldados que participaram em operações militares na Bósnia e no Kosovo, adoptando todas as medidas necessárias;
3. Solicita que sejam igualmente avaliados os eventuais efeitos a longo prazo nas regiões bombardeadas e, por conseguinte, nas populações civis, na sequência de uma exposição quer directa (inalação ou irradiação), quer indirecta (contaminação da cadeia alimentar e da água);
4. Solicita ao Conselho e à Comissão que garantam a coordenação adequada dos resultados dos inquéritos levados a cabo pelos Estados?Membros e pelos diferentes organismos internacionais especializados (PNUA, OMS, etc.) a fim de analisar todas as consequências das acções militares na Bósnia e no Kosovo;
5. Insta a que seja dada prioridade, nos programas de ajuda a favor dos Balcãs e da reconstrução dos países da ex-Jugoslávia, às medidas adoptadas para prestar assistência às vítimas civis e proteger o meio ambiente na sequência de operações militares;
6. Solicita aos Estados-Membros que fazem parte da NATO que proponham uma moratória sobre a utilização de armamento com urânio, em aplicação do princípio da precaução segundo a definição contida na resolução do Conselho adoptada no Conselho Europeu de Nice e na resolução do Parlamento sobre este assunto;
7. Solicita à NATO que pondere a utilização de outro tipo de munições até que sejam conhecidos os resultados das investigações sobre o urânio empobrecido;
8. Solicita à Presidência do Conselho e ao Alto Representante para a PESC que o informem regularmente das deliberações do Conselho e dos seus órgãos relacionadas com a questão da "síndroma dos Balcãs";
9. Encarrega a sua Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão, aos governos dos Estados-Membros, ao Secretário-Geral da NATO e ao Congresso dos Estados Unidos da América.