AUTOS DA REVOLUÇÃO
com textos de António Lobo Antunes
Na ocasião do trigésimo aniversário
da Revolução, o CENDREV escolheu levar a cena a palavra
de um de nossos poetas maiores, um artista do verbo.
Ao olhar para o passado, António Lobo Antunes
recusa-se a contribuir para a edificação de uma lenda
dourada do 25 de Abril. As personagens que cria não são
heróis, mas pessoas comuns, cheias de contradições,
que levam uma vida anónima nas margens da Revolução.
O espectáculo propõe os relatos cruzados de sete personagens
: um carregador de mudanças, um tenente-coronel do exército,
um militante maoista, uma criada, uma camponesa empregada numa Quinta,
uma burguesa religiosa e um patrão de empresas. Cada um evoca,
do seu ponto de vista, o dia 25 de Abril e o que lhe aconteceu.
Para quem foi feita a Revolução ? e que Revolução
?
António Lobo Antunes disse um dia : «
Não consigo conceber uma história onde as personagens
não tenham carne ». É por isso que as suas criaturas
romanescas se encarnam tão naturalmente sobre um palco. Mas,
é claro, isto não basta, pois um espectáculo
extraído dos seus romances (o texto compõe-se de trechos,
não adaptados, de Conhecimento do Inferno, Fado Alexandrino,
Auto dos Danados e O Manual dos Inquisidores) tem também
a obrigação de respeitar uma prioridade: fazer ouvir
a polifonia de António Lobo Antunes, preservar a força
das suas palavras, procurando ao mesmo tempo um contraponto visual
bastante delicado para não as estragar.
Tal é o desafio que lança o CENDREV.
Ficha Técnica e Artística
Encenação :
Pierre-Etienne Heymann, com a colaboração
de Rosário Gonzaga
Assistente de Encenação:
Rosário Gonzaga
Música :
Gil Salgueiro Nave
Execução Musical:
Gil Salgueiro Nave, Luís Cardoso e Paulo Pires
Cenografia e Figurinos :
Henri Cueco
Iluminação:
João Carlos Marques
Interpretação:
Álvaro Corte Real, Ana Meira, Figueira Cid, Isabel
Bilou, Jorge Baião, José Russo e Maria Marrafa
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