TELECTU com EDDIE PREVOST, JOHN EDWARDS e JOHN BUTCHER

Telectu é um projecto activista junto aos mais significativos performers portugueses (e.g. Centro Pompidou,1984) e videastas, cenógrafos, realizadores; devir mágico, pacífico, e maravilhado por uma estirpe de músicos convidados Elliott Sharp, Evan Parker, Chris Cutler, Eddie Prévost, Carlos Zíngaro, Jac Berrocal, Daniel Kientzy, Paul Lytton, Louis Sclavis, Sunny Murray, Tom Chant, John Edwards, Gerry Hemingway, Ikue Mori,Paul Rutherford, Barry Altschul, Giancarlo Schiaffini, Herb Robertson.

Telectu passou por alguns dos mais importantes palcos da música clássica contemporânea e/ou experimental (e.g. Moscovo 85, Havana, Beijing, New York, Bucareste, Paris, Salle Olivier Messiaen da GRM, CCB, Positive, Nova Iorque, Spit e Ocean em Londres, Madrid, Barcelona, Sevilha, Granada, Vigo, Perpignan, Moulouse, WULK em Viena, Macau, Hong Kong ); centenas de participações em festivais, Festas (e.g. Avante! - presença permanente desde 1983, junto a virtuosos da improvisação). Muitas das actuações foram editadas em disco (e.g. os primeiros a gravar e a ser editados pela URSS, «Telefone»; pela Republica da China, «Biombos»; na Knitting Factory em Nova Iorque - o que demonstrou Telectu como empreendimento cultural isento, sem conluios políticos e capitalistas; foi sempre uma prova de resistência – e visitou lugares nacionais os mais honráveis, que deram verdadeiramente o alento à criatividade - 26 discos (LP, CD, reedição em CD); grande parte das editoras independentes se iniciaram com um disco de Telectu (com relevância histórica Smil edições Circa de projectos Live e multimediáticos Smúsica, concerto e instalação) e pelos inumeráveis contactos com alguns dos mais importantes criadores.

Jorge Lima Barreto - Anteriormente, nos anos 1970 no Porto, Jorge Lima Barreto realizou as primeiros experiências de música /video art e performarte; executou o primeiro solo para piano e banda magnética no Cascais Jazz 1974; a solo ou com a Anar Band gravou «Anar Band» e «Encounters» com Saheb Sarbib (resp. 1976 e 1977); «Kits» ,em sintetizador, piano preparado e rádio, e Carlos Zíngaro em violino acústico e electroacústico (que foi verdadeiramente o primeiro disco de música improvisada em Portugal, assumida como tal em 1987) prodigalizou a música contemporânea em todos os seus quadrantes, como concertista, crítico e musicólogo. Após 30 anos dum conspícuo polinstrumentismo (e.g. banda magnética, cassete, bateria, piano eléctrico, sintetizador, cravo electrónico, controladores de ritmo, rádio, tecla, sopro e percussão, sampler) e em representações musicais e multimediáticas vicariais, reactualizou um estilo próprio de piano desde a Expo 98, que até hoje explora.

Vítor Rua (guitarras & electrónica) - Em 1978 o Vitor Rua inventara o GNR, que ainda hoje existe, com um êxito sem precedentes no pop-rock nacional, inovador e irreverente. Numa viagem a Nova Iorque em 1981, Vitor Rua e Jorge Lima Barreto decidiram concretizar o projecto Telectu. Fundaram o duo TELECTU, primeiramente ligado ao poliartista António Palolo e apostado na tipologia da música minimal repetitiva e interarte com instalações, vídeos, diaporama, plantas numa definição de «video garden»; performarte; capas de discos e caixas de Lp´s e CD´s de especial design, booklets, posters, bupis; instalações video e multimedia,congeminadas por TELECTU.

Desde há 20 anos que existe entre os dois artistas um encantamento musical. Vitor Rua a experimentar diversos contextos hi-tec da aparelhagem e da panóplia instrumental analógica e digital, e sobretudo na engenharia do som e de produção editorial audiovisual, para disco, performdance, filme, video, teatro. Grande criador artístico, videasta, poliartista, compositor e improvisador, Vítor Rua é um marco vivo na História da Música Portuguesa de Hoje.

Revelou-se um compositor inusitado ao propor peças solísticas, para Ensemble, a alguns dos expoentes mundiais da especialidade instrumental; o seu trabalho tem sido interpretado em alguns dos mais importantes proscénios nacionais e internacionais.

Principalmente, e considerando a sua acção de instrumentista no Telectu, cujo vigésimo aniversário se comemora, Rua tem levado a cada situação as mais avançadas técnicas, surdinas analógicas e digitais, mesas de mistura, DAT, realização magistral de video, tape, sintetizações, sampladélia.

Convidados:
Eddie Prevost, John Edwards e John Butcher.

Eddie Prevost (bateria, percussão & electrónica) - Prévost, percussionista, compositor e musicólogo, foi co-fundador do lendário AMM, trabalhou junto a Cornelius Gardew e o seu estilo mantém-se ainda hoje na vanguarda.

Quatro músicos em palco, vídeos e plantas numa instalação multimédia, para executarem uma música para lá dos julgamentos habituais, transportando o assistente para longe ou para dentro de si; onde o tempo se suspende, expande e a invenção inesgotável, jogo que reformula um discurso sofisticado e o mais livre, oferecendo ao auditor uma experiência única.

O músico americano Morton Feldman disse um dia que o objectivo mais caro a um compositor seria que a música se compusesse e organizasse por ela própria; este pensamento poderá ser um ponto de partida para compreender e fruir a arte musical que Lima Barreto e Prévost nos oferecerão nesta memorável reunião experimentalista.

John Edwards - É um dotado contrabaixista que desenvolveu um conceito instrumental que unifica de maneira diversificada várias componentes musicais. Provavelmente mais conhecido pelos seus trabalhos de improvisação, Edwards sempre se envolveu em projectos musicais de diversas influências e estilos musicais, nomeadamente nos campos da composição com computador, dança contemporânea, jazz, folk e teatro. Formou em 1987 os «Pointy Birds» e tocou ao longo da sua carreira com inúmeros músicos entre os quais se destacam Roger Turner, Lol Coxhill, Maggie Nicols e Phil Minton. No âmbito dos trabalhos discográficos participou nos projectos de Harry Beckett, Charles Hayward, Pat Thomas, Shock Exchange, Caroline Kraabel, Alan Tomlinson Trio, Steve Noble Quartet, Spaceheads, Andy Diagram, Richard Harrison, John Butcher, Paul Dunmall e Éddie Prévost.

John Butcher - Vive actualmente em Londres e toca saxofone há já 25 anos, tendo iniciado os seus estudos musicais ao mesmo tempo que frequentava a universidade de Surrey na área da física. Tocou com diversos grupos de jazz com o pianista Chris Burn e fez algumas incursões nos domínios da improvisação. Durante o tempo que passou em Londres para fazer o doutoramento continuou a desenvolver intensa actividade musical. Quando deixou a universiddae em 1982, concentrou o seu interesse na improvisação, campo que tem vindo a desenvolver nas suas variadas vertentes. Tem participado em diversos projectos com Burn, mas também com John Russel e Phil Durrant, Paul Lovens e Radu Malfatti, entre muitos outros. Desde que em 1992 lançou o CD «Thirtheen friendly numbers», que os concertos a solo se tornaram num dos seus projectos especiais.

A música electrónica foi uma das primeiras influências na sua aproximação ao saxofone e tornou-se notória no duo electromanipulação com Phil Durrant. O trio de sopros com Axel Doerner e Xavier Charles foi descrito como executando música electrónica com instrumentos acústicos. Desde as primeiras visitas ao Canadá e aos EUA que Butcher estabeleceu inúmeras ligações com músicos norte americanos, tendo trabalhado com Michael Zerang, Gino Robair ou Mathew Sperry. Em 1997 integrou o grupo austríaco Polwechel e participou em algumas gravações deste agrupamento.