SEGUE-ME À CAPELA

A história

Em Março de 1999, o dono do Bar Botirão, de Aveiro, desafiou Cristina Martins para realizar um espectáculo de música tradicional portuguesa no seu estabelecimento. Esta antiga cantora do GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) convidou cinco amigas, com quem tinha trabalhado no GEFAC, para organizarem um reportório de música tradicional portuguesa cantado a capella para uma apresentação ao vivo que teve lugar no dia 1 de Abril desse ano.

A experiência foi tão bem sucedida que o grupo, organizado ocasionalmente para aquele evento, continuou a existir, mantendo uma actividade regular de apresentações ao vivo, nomeadamente em Festivais de Música Tradicional tanto em Portugal (Intercéltico do Porto, Cantigas do Maio no Seixal, etc.) como em Espanha (Folk Segóvia, Etnosur, Huesca Folk, etc.).

As cantoras

Actualmente com sete cantoras, as Segue-me à Capela são:

Cristina Martins, assistente social, frequentou aulas de canto e de educação musical no Conservatório de Música de Aveiro. Fez parte do grupo Raíz de Aveiro, do GEFAC e do grupo Vera Lenda, tendo colaborado com a Brigada Victor Jara, com quem se apresentou numa das edições da Festa do Avante.

Mila Bom, magistrada, integrou o GEFAC, cantou no Grupo Coral do CEJ (Centro de Estudos Judiciários) e teve participações em teatro.

Margarida Pinheiro, professora de Biologia, estudou piano nos Conservatórios de Música da Covilhã e de Coimbra e integrou o GEFAC.

Graça Rigueiro, farmacêutica; além do GEFAC, fez parte do grupo de música tradicional As Mondeguinas, uma tuna feminina criada no âmbito da Academia de Coimbra, com a qual gravou um disco. Participou no espectáculo realizado pela Brigada Victor Jara na Expo’98.

Catarina Moura, licenciada em Ciências da Educação, passou igualmente pelo GEFAC e, actualmente, faz parte do grupo de música popular da Tuna Académica de Coimbra, Realejo e Brigada Victor Jara, com quem gravou o álbum «Por Sendas Montes e Vales». Já participara com o mesmo grupo num espectáculo na Expo’98 e na gravação do disco «Novas Vos Trago» (coros).

Maria João, médica, fez o curso geral de piano no Conservatório de Música da Covilhã e integrou o Coro Misto e Orfeão Académico de Coimbra.

Cristina Rosa, licenciada em Ciências Musicais; estudou piano e canto nos Conservatórios de Música de Aveiro e de Vila Nova de Gaia. Fez parte do grupo de música popular Raíz de Aveiro, Coro da Gulbenkian e Camerata Vocal de Lisboa.

A música

Apesar dos instrumentos de percussão que utiliza ocasionalmente, o grupo Segue-me à Capela é uma perspectiva da música tradicional portuguesa traçada apenas pela voz. E a voz desdobra-se para lá do canto, para recriar ambientes de trabalho, romaria e alguma folia.

Do seu reportório fazem parte cantares tradicionais recolhidos por Michel Giacometti, José Alberto Sardinha e pelo GEFAC.

Embora procure reproduzir os arranjos vocais registados nas recolhas que aborda, Segue-me à Capela recria-os, acrescentando-lhes novas linhas que conferem aos temas uma imagem diferente e «modernizada», sem perder o sabor ancestral das versões originais.

Os instrumentos

Os instrumentos do grupo são as vozes. Foi precisamente o fascínio do mais antigo instrumento musical humano que fez mover este projecto de revitalização da música tradicional portuguesa. Os instrumentos de percussão ou certos elementos cénicos que integram nos seus espectáculos amplificam o papel da voz, reforçando os climas ora de drama, ora de festa, recriados pelo canto.

Todos os elementos de percussão que usam reportam-se à cultura popular portuguesa, com especial destaque para o adufe.

Cristina Martins – voz (soprano) e percussão;
Mila Bom – voz (contralto) e percussão;
Margarida Pinheiro – voz (contralto), flauta e percussão;
Graça Rigueiro – voz (contralto) e percussão;
Catarina Moura – voz (soprano) e percussão;
Maria João Pinheiro – voz (contralto);
Cristina Rosa – voz (mezzosoprano);
Músico convidado – (percussão).