RONDA DOS QUATRO CAMINHOS
com grupos vocais alentejanos e orquestra clássica de cordas

A Ronda dos Quatro Caminhos comemora este ano os seus vinte anos de existência na divulgação e recuperação da música Tradicional Portuguesa com o novo disco «Terra de Abrigo», tendo a ideia original surgido na gravação do último disco da Ronda em 2000, gravado ao vivo em Évora.

Este disco foi baseado em temas do cancioneiro alentejano. O Alentejo foi, entre os séculos VII e XV, a parte ocidental do Al-Andaluz , nome dado às regiões hoje conhecidas como Alentejo, Algarve e Andaluzia durante a presença muçulmana. Apesar de esta presença no território hoje português só se ter verificado até ao séc. XIII, são notórias as influências deixadas pelos muçulmanos na nossa cultura: na comida, na arquitectura, nos costumes e mesmo na língua. Será lógico pensar que em cinco séculos alguma coisa tinha de ficar de herança. Alguns dizem que os camponeses que ouvimos neste disco são disso exemplo, mas isto não está contudo provado, nem sabemos se algum dia estará. No entanto, no Alentejo há a tradição dos coros polifónicos como em outras partes da bacia mediterrânica. Para além de todas as influências, ligações e raízes que podemos ouvir nesta bonita maneira de cantar, a música existe por si só, fortemente enraizada nesta parte de Portugal.

Este álbum, Terra de Abrigo», não pretende ser um tratado etnomusicológico, mas uma recriação e uma tentativa de unir a música clássica com a música popular e unir pessoas que vivem na mesma área de influência musical.

Do disco podemos reter e saborear as palavras de José Saramago:

«O que mais há na terra, é a paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem e, apesar disso, de tanto existir, não se cabaou ainda. Será porque constantemente muda: tem épocas no ano em que o chão é verde, outras amarelo, e depois castanho ou negro. E também vermelho, em lugares, que é de cor de barro ou sangue sangrado. Mas isso depende do que no chão se plantou ou cultiva, ou ainda não já, ou do que por simples natureza nasceu, sem mão de gente, e só vem a morrer porque chegou o seu último fim. Não é tal o caso do trigo, que ainda com alguma vida é cortado. Nem do sobreiro, que vivíssimo, embora por sua gravidade o não pareça, se lhe arranca a pele. Aos gritos.»

Os Ronda :
Pedro Fragoso, Pedro Pitta Groz, Mário Peniche, António Prata, Carlos Barata e João Oliveira

Músicos convidados para o espectáculo na Festa do Avante!:
Rancho de Cantadores de Vila Nova de S. Bento, Grupo de Cantares de Évora e ainda uma orquestra clássica.

Discografia:

Site: http://www.rondadosquatrocaminhos.com