BRIGADA VICTOR
JARA

Numa pausa do trabalho de abertura de uma estrada
para os lados da Lousã, o acaso de uma «viola»
e um coro de meia dúzia de vozes terá feito nascer
a Brigada Víctor Jara. Brigada porque
o era de facto, de trabalho e de cantigas. Víctor Jara
pelo combate, acarinhado num camião do MFA a caminho de
uma aldeia beirã.
No início o canto era «de intervenção»,
em versões de cantigas de José Afonso, Sérgio
Godinho, Víctor Jara, Quilapayum. O primeiro contacto com
a Música Tradicional (ou Regional?, ou Popular?) tiveram-no
no GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra),
num ou noutro dos discos-de-capa-de-sarapilheira editados pelo
Michel Giacometti, num ou noutro encontro com músicos ou
cantadores populares.
Escrevia a Brigada na capa de «Eito Fora» (1977)
não ignorar que «o folclore que sai do seu lugar
próprio, que são os cantos e as aldeias, e esquece
o homem na relação diária com o trabalho
campestre, corre o risco de não passar de um produto banal,
uma mercadoria que faz as delícias dos turistas, avinhados
ao ritmo dos ferrinhos e da concertina». Ao mesmo tempo
esclarecia não ser o seu trabalho de natureza etnomusicológica
e homenageava «Michel Giacometti e alguns mais (poucos)
que realizaram e realizam com saber e persistência esse
labor tão apaixonante como ingrato».
A Brigada Víctor Jara nunca pretendeu
desempenhar o papel de «preservador» da memória
musical do seu povo, nem iniciou o seu trabalho com o fito de
atender a modas (de resto já ia longa a sua vida quando
o mercado da «world music» inaugurou a primeira prateleira
de CêDês). Antes se foi ocupando a recontar as melodias
apreendidas, misturando-as com os sons das suas próprias
vivências. Desigual, a sua discografia é o resultado
de um longo processo em que diversos músicos, atravessando
o grupo na sua trajectória, vão dizendo de sua justiça,
com uma preocupação central (e essencial na arte
popular) – a de contar um conto, acrescentando-lhe um ponto.
Integrado no seu espectáculo na Festa do Avante 2003 estará
um momento especial dedicado à memória histórica
dos 30 anos que passam sobre o golpe de Pinochet contra o governo
democrático de Salvador Allende, no Chile.
Apresentam-se na Festa do Avante! com os seus convidados:
Metais de Tomás Pimentel
Gaiteiros de Melide (Galiza)
António Pinto – Guitarra
André Sousa Machado – Bateria
Discografia:
«Eito Fora» - 1977;
«Tamborileiro» – 1979;
«Quem sai aos seus» – 1981;
«Marcha dos Foliões» – 1982;
«Contraluz» – 1984;
«Monte Fermoso» – 1989;
«Danças e Folias» – 1995;
«Por sendas, Montes e Vales» (CD duplo comemorativo
dos 25 anos de carreira) – 2000.
Site: http://www.brigadavictorjara.pt
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