Maria do Céu Guerra e Amélia Muge

“António o dos Quadros”

Local: Palco

DOMINGO
21:00h

 

Poesia de Grabato Dias

dita por Maria do Céu Guerra
cantada por Amélia Muge

ANTÓNIO O DOS QUADROS
Um dia, na minha vida já adulta, confrontei-me com a Poesia como iniciação ao Outro. Pela Poesia também, percebo que reconhecer o Outro é saber onde começamos e onde acabamos. É aprender na dor do Outro a delimitar a nossa dor. E o Outro foi António Quadros. O Outro de todos Solitário/Solidário. O Morgado Beirão. O Africano. O do Renascimento. Pintor a braços com imagens que nunca antes tinham sido de mais ninguém. Poeta múltiplo, mais propriamente multimodo. João Pedro Grabato Dias. Infância com magas/meigas. Mar da Figueira. Lisboa operária da década em que eu nasci. Johannes Grabatus, o clássico. O olho perdido de Camões e Mutimati Barnabé João o soldado da Frelimo, o que queria aproveitar todas as energias naturais. Este é o meu Quadros. O da Rosa Ramalha. O das indignações. O aristocrata que exigia que todos fossem excelentes. O Outro irradiante com quem ainda não parei de aprender. Que ainda não me cansei de interpretar. É que, se é um astro-rei que nos ilumina, não faz mal que a luz que projectamos não seja nossa, porque dela fica sempre um clarão.
Maria do Céu Guerra