Sobre os acontecimentos do 11 de Março
Comunicado da Comissão Política do Comité
Central do PCP
13 de Março de 1975
1. Tal como afirmámos no nosso comunicado de anteontem, no dia 11 de Março a reacção sofreu uma grande derrota na tentativa de subverter, através duma criminosa acção armada, o regime democrático instaurado em 25 de Abril. Mais uma vez as forças interessadas em repor no poder o fascismo derrotado jogaram forte e perderam. Muitos dos conspiradores foram presos, os seus objectivos postos a nu. É preciso que sejam severamente castigados. A aliança Povo-MFA saiu reforçada e as forças progressistas viram reforçadas as suas influência e autoridade.
2. Seria, contudo, um erro pensar que a reacção, mais uma vez derrotada, desarmou em definitivo e não tentará novos golpes contra as conquistas democráticas do nosso povo. A vigilância popular deve manter-se, e a todos os manejos suspeitos e subversivos detectados deve ser dada a resposta adequada.
As forças reaccionárias procuram manter no Pais um estado de tensão artificial através duma onda de boatos e da intensificação de actos atentatórios da tranquilidade pública. Grupos esquerdistas pseudo-revolucionários estão levando à prática assaltos e ocupações a residências e incitam ao agravamento de conflitos e a acções irresponsáveis com o início objectivo de manter um clima de agitação propicio às iniciativas contra-revolucionárias e em absoluto contrárias aos interesses das classes trabalhadoras.
3. O nosso povo quer construir em paz um Estado verdadeiramente democrático, mas não pode deixar à solta e sem resposta aqueles que querem criar no País esse clima de tensões favorável aos intentos da reacção interna e internacional. As acções irresponsáveis dos inimigos do processo democrático devem encontrar pela frente a vigilância, a reprovação e a resistência firmes das massas populares em estreita colaboração com o MFA. Os movimentos e actos suspeitos devem ser prontamente levados ao conhecimento das autoridades militares do MFA ou rapidamente anulados — se tal se tornar necessário — pela própria iniciativa das massas.
A vitória do 11 de Março deve ser consolidada e as conquistas democráticas preservadas da acção dos sabotadores, sejam eles direitistas ou pseudo-revolucionários.
4. O 11 de Março comprova que, se as forças populares e democráticas e o MFA se mantiverem unidos, o processo revolucionário é irreversível.
O PCP reafirma a sua inabalável confiança na unidade das massas populares e na sua aliança com o MFA, factores determinantes e decisivos para a vitória da democracia cm Portugal.