"Só os comunistas podem dar resposta aos problemas do povo"

Entrevista do "Avante!" a Christopher Fonseca, membro do Conselho Nacional do Partido Comunista da Índia e secretário-geral do Congresso dos Sindicatos de Toda a Índia (AITUC) em Goa, esteve na Festa do Avante!.

Em declarações ao nosso jornal, este dirigente da AITUC – a mais antiga das federações sindicais na Índia (foi fundada em 1920) e uma das cinco maiores do país, com 3,6 milhões de membros, desde sempre com fortes ligações ao Partido Comunista da Índia – manifesta a sua convicção de que as forças de esquerda, apesar dos maus resultados obtidos nas últimas eleições, vão conseguir reforçar a sua unidade e desempenhar um papel determinante no país.

Qual é actualmente a situação dos comunistas na Índia? É perigoso ser um comunista na Índia nos dias de hoje?

Hoje em dia a situação dos comunistas na Índia não é muito boa. Nas últimas eleições gerais, as pessoas não nos deram um mandato em termos do número de deputados no Parlamento. No 14.º Parlamento havia cerca de 60 deputados de partidos comunistas e de esquerda, mais de 10% dos deputados do Parlamento. Nas 16.ªs eleições parlamentares [realizadas de 7 de Abril a 12 de Maio deste ano] há apenas 12 deputados comunistas e de esquerda no Parlamento. Houve um certo isolamento dos partidos de esquerda e o aparecimento da direita, o movimento Hindutva [movimento que advoga o nacionalismo hindu], uma espécie de partido [O BJP – que em português significa Partido do Povo Indiano –, liderado por Narendra Modi], que instrumentalizando as questões sociais, com um discurso com um certo «realismo», foi maioritariamente escolhido pelo povo. E com 31% dos votos obteve 52% dos lugares no Parlamento. É de salientar que o partido foi levado ao colo pelas grandes empresas e corporações, que agora estão contentes porque os comunistas perderam lugares de que dispunham no Parlamento e estão enfraquecidos. Isto deu origem ao ressurgimento da política de direita e também da agenda do grande capital e das corporações e ainda das forças anti-laicas. Qualquer tipo de fanatismo religioso é mau. Nós não somos contra a religião, mas consideramos os sectarismos religiosos muito perigosos.

Isso quer dizer que a religião tem um grande peso no país?

Nós somos uma nação que é altamente laica, democrática. Com um total de 1200 milhões de pessoas, 2/3 da nossa população é jovem, isto é, tem menos de 35 anos, uma população muito jovem em termos mundiais. Portanto, somos uma nação abençoada, não só pela juventude, mas também porque o nosso povo é ardentemente laico. Anseia pela paz, pela liberdade, pela equidade.

E quais são as perspectivas de futuro?

Os eleitores votaram BJP, Bharatiya Janata Party, mas isso não significa que apoiem a sua política. O que sucede é que estavam fartos das políticas do anterior governo do Partido do Congresso, que era corrupto, incapaz e governava há muitos anos. As pessoas votaram nesse partido e, de certa forma, não deram um mandato aos partidos de esquerda. Mas a esquerda tem uma forte base de apoio; tem uma base muito, muito grande e uma enorme filiação. Toda a esquerda em conjunto tem uma filiação de mais de quatro milhões de pessoas e estou certo de que nos próximos anos a esquerda vai juntar-se, vai unir-se e será uma força a ter em conta. Porque os problemas do povo, nomeadamente com as políticas neoliberais, as políticas do FMI, do Banco Asiático e outros, não serão resolvidos, o governo não será capaz de lutar contra o desemprego, nomeadamente o desemprego jovem, contra o aumento dos preços que vai aos bolsos do povo, não será capaz de conter os imperialistas, não será capaz de se afastar da corrida aos armamentos. Portanto, não resolverá todos estes problemas do povo, principalmente as questões da distribuição da terra, do meio ambiente e também os direitos das mulheres, das crianças e dos trabalhadores. Todos estes problemas só podem ser resolvidos com um partido popular fortemente empenhado, isto é, com os comunistas.

>
  • Central
  • Artigos e Entrevistas

Partilhar