Intervenção de João Ferreira no Parlamento Europeu

Relação custo-eficácia das reduções de emissões e investimentos em tecnologias hipocarbónicas

Há um problema de partida na abordagem da União Europeia ao objectivo de redução das emissões de gases de efeito de estufa: a opção e a insistência numa abordagem de mercado que revelou sobejamente não apenas a sua ineficácia mas também a sua perversidade.

A partir do clamoroso falhanço inicial, pensaram algumas boas almas que colocando alguns remendos no sistema ele nos conduziria finalmente aos proclamados objectivos. Debalde.

A criação de um comércio de licenças para poluir lançou as bases de mais um esquema milionário de geração de activos financeiros fictícios, quem sabe se mais uma bolha especulativa pronta a ser insuflada. Nada fez nem faz pela desejada redução da emissão de gases de efeito de estufa, sobretudo que a queremos concretizada num quadro de justiça social e de sustentabilidade económica.

O que seria um mirífico incentivo à adopção das tecnologias hipocarbónicas tornou-se o maior desincentivo.

Deixar nas mãos do mercado objectivos ambientais – que bem podiam e deviam ser logrados por outras vias – será útil para alguns, sem dúvida, mas prejudicial para o ambiente e para as populações.

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