Intervenção de João Ramos na Assembleia de República

Pela salvaguarda, valorização e dinamização da antiga Fábrica Robinson, em Portalegre

S. Presidente,
Srs. deputados,

Queria em primeiro lugar saudar os mais de 4300 peticionários, na pessoa do primeiro peticionário, Dr. Luís Pargana, hoje aqui presente a par de outros eleitos autárquicos do município de Portalegre.

A fábrica corticeira Robinson marca ainda hoje a silhueta da cidade de Portalegre e marcou a história da cidade e da região nos séculos XIX e XX. Foi a dinâmica social ligada à fábrica que criou o primeiro sindicato corticeiro, a primeira cooperativa de consumo, o primeiro corpo de bombeiros, a primeira creche infantil, a primeira sociedade filarmónica, entre tantas outras realizações que perduram nos dias de hoje. Foram os operários da Robinson os primeiros a comemorar o 1º de Maio, em Portalegre no ano 1893.

O encerramento da fábrica deixou atrás de si problemas laborais, problemas que aliás continua a ser necessário resolver no cumprimento dos direitos dos trabalhadores. Mas deixou também uma riqueza em património material e imaterial, único não só na região, mas também no país e no mundo e por isso, classificado como Conjunto de Interesse Público em conjunto com a igreja e convento de S. Francisco.

Por isso é que, não obstante o passado, o percurso e a acção da Fundação criada para gerir o património, este tem de ser salvaguardado e tem de ser um activo ao serviço do desenvolvimento da região. É assim que o PCP recomenda ao Governo que, ao abrigo da Lei de Bases do Património Cultural, promova uma intervenção urgente no sentido de garantir a salvaguarda do património arqueológico industrial e edificado em risco, como é sua obrigação.

Paralelamente o PCP recomenda que em articulação com autarquias, instituições científicas, educativas, associativas, sindicais, empresariais e outras se promova o conhecimento, estudo, protecção, valorização e divulgação daquele valioso património e a adopção de medidas de requalificação e revitalização do conjunto classificado, refuncionalizando os seus sete hectares.

O património da fábrica Robinson é demasiado importante para ficar de fora de uma estratégia de desenvolvimento do norte alentejano e do país, mas para cumprir esse propósito precisa de ser protegido.

Disse.

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