Intervenção de Bárbara Seco, MDM, Debate-Desemprego,precariedade,pobreza-A face real da União Europeia

As mulheres, o emprego, as discriminações e a pobreza

Camaradas e amigos
O MDM agradece o convite para participar neste debate, iniciativa que muito valorizamos, por assumir especial importância no contexto em que vivemos. Muito nos interessa este tema, sobre o desemprego, a precariedade e a pobreza, que encontram nas mulheres alvo fácil e primeiro.
A luta das mulheres pela emancipação e pela igualdade é indissociável da luta geral dos trabalhadores e do povo. A luta da classe trabalhadora, pelo seu carácter libertador e emancipador, promove a luta das mulheres pelos seus direitos específicos, ao mesmo tempo que esta é contributo essencial para o reforço da luta dos trabalhadores.
Foi assim há mais de cem anos, com a proclamação do Dia Internacional da Mulher como dia de luta das trabalhadoras por melhores condições de trabalho e de vida, por horários e salários justos e sem discriminação para as mulheres.
Foi assim durante o fascismo em Portugal, onde as mulheres assumiram a defesa dos seus direitos, ombro a ombro com os trabalhadores na luta contra a exploração, pela emancipação social e pela liberdade, luta que derrubou a ditadura e trouxe ao país a madrugada clara por que tanto esperavam.
É assim hoje em todo o mundo, onde as mulheres lutam pelo direito a ter direitos, pelo trabalho, pela justiça social, pela igualdade, pelo acesso à cultura, ao desporto, pelo progresso e pela paz.
A independência económica e o exercício de direitos e liberdades garantem à mulher a intervenção na vida política e social, condição primordial para a igualdade. Hoje, com esta política que assombra os nossos dias, que tudo quer destruir e nada que se assemelhe a Abril deixar em pé, o grande capital vê no trabalho das mulheres uma oportunidade de baixar salários, desregular horários e, assim, aumentar lucros, empurrando-as para situações de pobreza e exclusão social, que põe em causa tudo o que outrora conquistaram em seu nome.
As mulheres representam mais de metade dos beneificiários de prestações de desemprego, auferindo, em média, os subsídios mais baixos; têm as reformas mais baixas; têm a maior jornada de trabalho diária e a maior precariedade. São o rosto da pobreza em Portugal.
No distrito de Braga, com o encerramento de empresas do sector têxtil e vestuário – lembro os recentes casos da João Ribeiro da Cunha, em Guimarães; da FMAC, em Esposende; da Manhentex, em Barcelos; da FERSONI, em Famalicão e da FrenchFashion, em Braga – o desemprego assume particulares e preocupantes contornos: são 42 570 as mulheres desempregadas, dos 71 903 inscritos no IEFP.
Para contrariar este rumo, as mulheres têm-se empenhado em diversas acções de luta, nacionais e também no distrito. Destacamos as acções conjuntas entre o MDM e a Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da União de Sindicatos de Braga em torno das comemorações do dia 8 de Março, que tiveram, nos últimos anos, uma dimensão muito significativa, assinalando o Dia Internacional da Mulher, de forma muito combativa, com os trabalhadores e o povo.
Destacamos também o projecto que o núcleo de Braga do MDM desenvolveu: “Ao Encontro das Mulheres de Braga: do pessoal ao mediático”, que impulsionou um alargado contacto com dezenas de mulheres por todo o distrito, e permitiu conhecer a sua realidade e as suas histórias de vida, profundamente marcadas por situações de desemprego, pela precariedade e pela pobreza; ao mesmo tempo que lhes deu eco e visibilidade.
O MDM continuará este trabalho junto das mulheres do distrito, reforçando a nossa participação e apoiando o nosso carácter unitário, levando cada vez mais longe a nossa intervenção e garantindo um conteúdo mais reivindicativo à nossa acção.
Importa mobilizar cada vez mais mulheres para combater o desemprego, a precariedade e a pobreza, na região e no país. Mobilizá-las, desde já, para fazerem Greve Geral no próximo dia 27; para que sejam, também elas, junto dos trabalhadores e do povo, protagonistas da construção da alternativa que queremos para as nossas vidas. Havemos de mudar de rumo, camaradas, “havemos de chegar ao fim da estrada”
Viva a luta das Mulheres!
Viva a luta dos trabalhadores!

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