Quatro ao Sul
Terça, 24 Julho 2007

 

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José Barros (José Barros e Navegante), Rui Vaz e José Manuel David (Gaiteiros de Lisboa) e Pedro Mestre (Tocador e construtor de violas campaniças), dão corpo a este novo grupo que tem como base inicial o Cante Sul, diferenciando-se por um novo repertório que vai mais para além do cante e das modas do Alentejo com a incorporação de temas populares e tradicionais do Mediterrâneo Europeu. O grupo continuará a recriar os ambientes das modas alentejanas acompanhadas pelas violas campaniças e a tocar este instrumento usando as técnicas originais. Por outro lado, à medida que o repertório o exigir, conta introduzir outros instrumentos acústicos da tradição mediterrânica.

A viola campaniça é um instrumento quase desaparecido do universo da música tradicional portuguesa. Outrora expandia-se mais ou menos por todo o Baixo Alentejo, acompanhou as modas de despique e baldão que se cantavam em momentos de festa, como a Feira de Castro e os arraiais populares. Hoje em dia está circunscrita apenas a dois ou três concelhos havendo já algum trabalho de recuperação deste instrumento e da sua aprendizagem, sobretudo em Castro Verde. O som cheio e característico que possui provém dos seus cinco grupos de cordas duplas, nos quais a existência de corda de aço e de latão pouco tensionadas, marca a diferença em relação a outros tipos de viola. O seu uso, hoje praticamente reduzido ao acompanhamento de canções cantadas por duas vozes, parece ter tido horizontes mais vastos, acompanhando corais e modas de baile.