Carlos Bica & Trio Azul com Frank Mobus e Jim Black (POR/ALE/EUA)
Terça, 24 Julho 2007

 

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Comemorando este ano o seu 15º. Aniversário, o trio «Azul» de Carlos Bica é hoje uma das formações mais originais no panorama do jazz contemporâneo europeu. Desde que Bica gravou o seu primeiro álbum com esta formação (na qual colaboraram ainda o trombonista norte-americano Ray Anderson e a cantora portuguesa Maria João) são já quatro os títulos que o trio, entretanto, publicou e que vêm acrescentar-se à já notável e diversificada discografia do contrabaixista.

Intitulam-se eles: Azul, Twist, Look What They've Done to my Song e, finalmente, Believer, editado já este ano, sempre na independente alemã Enja.

Desde o início colaborando intensamente com Carlos Bica na criatividade deste trio e ainda, conjunturalmente, com peças de autoria própria, tanto o guitarrista alemão Frank Möbus como o baterista norte-americano Jim Black transmitem à sonoridade global do grupo uma forte personalidade, sendo Möbus, no trio, a voz instrumental que o faz aproximar dos terrenos do jazz mais explícito, dos blues e também da pop-rock, e Black o baterista sempre desconcertante e imprevisível cuja postura, no instrumento, contrasta por completo com a imagem-feita dos bateristas de jazz.

Carlos Bica é senhor de uma sonoridade grandiosa e profunda e caracteriza-se por um estilo ao mesmo tempo altamente percussivo e cantado na forma de utilizar o contrabaixo. Compositor experimentado nas áreas da música para teatro e para cinema, Bica jamais escondeu ou abandonou uma musicalidade tipicamente portuguesa que, aliás, fez soar noutro tipo de colaborações com José Mário Branco, Janita Salomé, Camané ou Carlos do Carmo. Durante muitos anos, o contrabaixista trabalhou também nos grupos da cantora Maria João, participação que contribuiu para a sua afirmação na cena internacional, tendo tocado em inúmeros concertos e festivais ao lado de músicos como Ray Anderson, Kenny Wheeler, Aki Takase, Paolo Fresu, Julian Arguelles, Lee Konitz, Mário Laginha, Matthias Scubert, João Paulo Esteves da Silva, Markus Stockhausen, António Pinho Vargas ou Alexander von Schlippenbach, entre outros.

A trajectória musical de Carlos Bica ajuda a explicar os seus interesses e as suas principais influências. Os seus primeiros passos na aprendizagem do contrabaixo foram dados na Academia de Amadores de Música e nos Cursos de Música do Estoril, tendo-se formado mais tarde na Escola Superior de Música de Würzburg, na Alemanha.

Outros trabalhos discográficos dignos de registo são, por exemplo, Cal Viva, O Exílio e Almas (ambos de João Paulo), Klezmer Stories (Paul Brody), Essência (Gebhard Ullman), A Chama do Sol (Bica/Klammer/Kalima), Diz (com Ana Brandão) e, mais recentemente, Believer, o seu primeiro álbum a solo.

Formação:

Carlos Bica - Contrabaixo

Frank Mobus - Guitarra

Jim Black - bateria