Intervenção de Mariana Silva, Membro da Comissão Executiva do Conselho Nacional do PEV, Encontro Nacional «Alternativa patriótica e de esquerda. Soluções para um Portugal com futuro»

Saudação do Partido Ecologista «Os Verdes»

Saudação do Partido Ecologista «Os Verdes»

Boa tarde! Caros amigos e amigas,

Permitam-me, em nome do Partido Ecologista Os Verdes, saudar este Encontro Nacional e através de vós, participantes e convidados, saudar todos os militantes do Partido Comunista Português, Partido com quem temos partilhado e iremos continuar a partilhar o caminho da defesa dos interesses de mulheres e homens de Portugal e de um desenvolvimento sustentável.

Queremos reafirmar-vos o empenho do Partido Ecologista os Verdes, reafirmado na 14.ª Convenção Nacional, em prosseguir esse caminho convosco, na CDU. Aqui a coerência e a firmeza de princípios têm raízes. Os valores falam mais alto. A seriedade é mais vincada. O apego ao bem comum está acima de tudo.

Mas esta saudação é particularmente sentida pela bela escolha de Matosinhos para esta grandiosa iniciativa do PCP. A Norte, os trabalhos têm outra sonoridade, dominados pela “pronúncia do Norte/os tontos chamam-lhe torpe”, como diz a música, aqui, onde “corre um rio para o mar” que nos levará, aos dois partidos PCP e PEV a aprofundar o trabalho, a honestidade e a competência que nos caracterizam.

Hoje, discutem os três actos eleitorais que se avizinham. Eleições para o Parlamento Europeu, Eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira e as Eleições Legislativas.

Caros amigos e amigas,

Em 2019 as lutas intensificam-se porque a cada acto eleitoral torna-se mais importante reforçar o papel e a participação da CDU no dia-a-dia das populações. Torna-se necessário fazer balanços, reflexões e debates para que a Coligação Democrática Unitária saia reforçada e seja capaz de continuar ao lado das populações defendendo os seus interesses.

Estamos seguros que do Encontro de hoje sairão ideias, propostas e soluções para, no espaço da CDU, construirmos e darmos as respostas que as populações precisam. Cada vez mais se reconhece o importante trabalho que a CDU faz junto das populações, quer seja no continente ou nas ilhas, quer seja no litoral ou no interior, em todo o território português, a CDU faz falta às populações!

Hoje fica mais uma vez evidente que o trabalho intenso do PCP, aliado ao trabalho intenso do PEV, reforçará as lutas já iniciadas. A luta pela resolução dos problemas ambientais, a luta pela defesa de Mais e Melhores transportes públicos em todo o território português, a luta em defesa do serviço nacional de saúde, a luta pelo desenvolvimento da educação, a luta por mais justiça social na procura incansável de um país mais justo e melhor.

Confiando no trabalho dos eleitos da CDU, da sua proximidade junto das populações e dos seus problemas, seremos capazes de reforçar a CDU para continuarmos a garantir plena Democracia em Portugal, quer seja a nível local, quer seja no novo quadro parlamentar e até no quadro da União Europeia.

Teremos eleições para o Parlamento Europeu. Sentimos o desejo, por parte das Populações, de uma Europa mais justa, mais fraterna, que deixe de ser dominada pelos interesses de meia dúzia dos mais poderosos. Num mundo onde o capitalismo é a fonte de acumulação incessante de riqueza numa pequena minoria, à custa das mais diversas formas de abuso de uma larga maioria de seres humanos e da delapidação de recursos naturais a um ritmo acelerado e muito para além do limiar de sustentabilidade da Terra, o projecto ecologista é absolutamente necessário para combater este modelo e para garantir um processo de transformação que assegure um desenvolvimento económico, social e ambiental diferenciador e respeitador da vida com dignidade e da Natureza.

Só no âmbito da CDU seremos capazes de questionar este caminho gerador de desigualdades estruturantes e que está geneticamente ligado à exploração, que promove a fome, a pobreza, o tráfico de seres humanos, o trabalho sem direitos, assim como a degradação ou a utilização descontrolada de património natural, como a água, as florestas ou os solos.

Assim como sentimos o reconhecimento por muito do que foi possível alcançar nos quatro anos que leva esta solução política.

As pessoas sabem - e, se não sabem, "é preciso lembrar toda a gente" - , que foi a intervenção do PEV que garantiu a contratação de meia centena de vigilantes da natureza. E que foi a intervenção do PEV que assegurou o regresso do serviço de passageiros à Linha do Leste. Que foi a insistência do PEV que obrigou o Governo a consagrar na lei a redução da área de eucalipto a plantar. Ou que se conseguiram mais 1,2 milhões de euros para a Direcção Geral das Artes. Isto apenas para citar algumas medidas.

É certo que nem tudo se conseguiu. Mas é preciso "lembrar toda a gente", também, para que se perceba como é que se chegou até aqui e porque é que só se ficou por aqui.

Chegou-se até aqui, apesar de o governo PS não ter essa intenção, porque houve quem não desistisse, quem persistisse e batalhasse pelos seus compromissos até ao fim. E só se chegou até aqui porque o PS não quis ir mais longe e porque todo o alarido de PSD e CDS não visa resolver os muitos problemas do povo português, tem por objectivo criar as condições para se regressar ao tempo dos cortes, da destruição de serviços, do desastre económico e social.

Sim, é preciso lembrar toda a gente e, a cada dia que passa, torna-se mais evidente que esta luta tem e deve ser feita porta a porta, cara a cara. Nunca fomos levados ao colo, nem para a divulgação do trabalho intenso que fazemos, nem para atingir resultados eleitorais.

E é preciso recordar a toda a gente que, como as eleições legislativas de 2015 demonstraram, com a determinação da CDU, em respeito pela opção dos cidadãos, foi possível quebrar o ciclo de desastre económico e social que se tinha vivido nos quatro anos anteriores, de Governo PSD/CDS. A questão não estava, contudo, em aceitar um Governo do PS que gerasse a alternância do costume, mas sim em exigir um Governo que fosse capaz de romper com a lógica de empobrecimento que estava a ser imposta ao país.

Hoje volta-se a colocar a questão. Vamos permitir que se ande para trás, dando espaço ao PS, ao PSD e ao CDS para aplicarem de novo políticas anti-sociais e anti-laborais?

Ou vamos Avançar, abrindo um caminho novo, um compromisso com e pelos jovens, com e pelas populações, com e pelos trabalhadores, com e pelas mulheres, com e pelo ambiente? Ora para avançar, para assegurar que hoje e amanhã continua a correr esse “rio para o mar”, isso só é possível com uma CDU reforçada.

Contamos pois com cada um de vós, com cada um de nós, para continuarmos a afirmar que quanto maior for a força parlamentar dos partidos que constituem a CDU, mais perto estaremos de concretizar as políticas certas para desenvolver o país. Contem também connosco para a defesa dos transportes públicos e da mobilidade suave, da agricultura familiar e do mundo rural, das nossas florestas autóctones e da biodiversidade, dos serviços públicos de qualidade e da melhoria dos rendimentos dos portugueses.

Os caminhos são muitos, 2019 apresenta-se como um ano difícil de muitas lutas, mas a proximidade com as populações é reconhecida ao trabalho incansável efectuado pelos eleitos da CDU. Este Encontro Nacional, com uma força que se vê e se sente é uma extraordinária resposta e estamos certos que saireis daqui mais fortalecidos.

Assim demonstramos que juntos, “como o rio que corre para o mar”, PCP e PEV continuarão a caminhar na procura da construção de uma sociedade com oportunidades iguais, com justiça, com solidariedade e com democracia.

Viva a CDU!!!

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