Intervenção de João Torres, Membro do Comité Central, Encontro Nacional «Alternativa patriótica e de esquerda. Soluções para um Portugal com futuro»

A luta pelo aumento dos salários

A luta pelo aumento dos salários

Camaradas e amigos,

A luta desenvolvida nos últimos tempos pelos trabalhadores e as suas organizações de classe, articulada com as posições do nosso partido, permitem confirmar, em primeiro lugar, que vale a pena lutar e que a luta é o meio mais eficaz para a obtenção de resultados, e , em segundo lugar, que não há inevitabilidades e que com a luta tudo é possível.

Há ainda que valorizar e não esquecer o contributo histórico dado pelo PCP para acabar com a farsa da eleição para 1ºs. Ministros porque, pela primeira vez após o 25 de Abril de 1974, o partido mais votado nas eleições para deputados à Assembleia da República não conseguiu governar.

Derrotado e afastado do poder o governo PSD/CDS, impedido de continuar o seu rumo de destruição e de saque aos rendimentos e direitos dos trabalhadores, foi possível recuperar salários, rendimentos e direitos e continuar a intervir nos locais de trabalho, empresas e serviços por melhores condições de vida e de trabalho e por justiça na distribuição da riqueza nacional.

Com a luta recuperámos salários, rendimentos e direitos e, em muitas empresas, aumentos salariais significativos, conseguimos fixar mínimos salariais de acordo com as nossas propostas para o SMN, designadamente os 600 € em 2017 e 2018, a redução de horários de trabalho semanal para menos de 40 horas e a rejeição de adaptabilidades e bancos de horas, o pagamento do trabalho extraordinário e nocturno de acordo com o consagrado nos contratos colectivos, a passagem ao quadro de efectivos de dezenas de milhar de trabalhadores que tinham vínculos de trabalho precário, o aumento do número de dias de férias, entre muitos outros avanços.

Mas o PS é o que é! Não quis, por opção própria e pela sua natureza de classe, romper com a política de direita que tem mais de 40 anos de vida e é responsável pela manutenção e agravamento das desigualdades e injustiças que persistem no país.

O PS não quis aproveitar esta oportunidade para ir mais longe nos avanços necessários e possíveis, desperdiçou, voluntariamente, a correlação de forças na Assembleia da República para repor mais justiça laboral e social, optando até por deixar impressa , mais uma vez, a sua marca de classe, agravando aspectos essenciais da legislação laboral, como a precariedade e a desregulação dos horários de trabalho, mantendo a caducidade na contratação colectiva.

Há, por isso, fortes razões para lutarmos e responsabilizarmos o PS, pela sua convergência com o PSD e o CDS, pelos seus compromissos com o grande capital, pela sua submissão e obediência às imposições e chantagens da UE e aos constrangimentos do euro e da dívida!

Com os 3 actos eleitorais deste ano, precisamos de intensificar a acção e a luta reivindicativa nos locais de trabalho, empresas e serviços. È preciso lutar pelo aumento dos salários para todos os trabalhadores, do privado e do público; pela fixação dos 650€ como mínimo salarial; pelo emprego com direitos e contra a precariedade; pela contratação colectiva e a revogação da caducidade e outras normas gravosas da legislação laboral; contra a proposta de lei do governo que legitima e agrava a precariedade e desregula ainda mais os horários de trabalho; pelo respeito pelos direitos dos trabalhadores da administração pública, por melhores serviços públicos e melhorias, e acesso para todos, aos cuidados de saúde e ao SNS, à escola pública, à segurança social, à habitação, à justiça e à cultura.

Os comunistas têm de assumir a vanguarda da luta dos trabalhadores e, os que intervêm nas suas organizações de classe, puxar mais que todos os outros pelo esclarecimento, mobilização e intensificação da luta nos locais de trabalho, para lutas sectoriais mais abrangentes e a mobilização para grandes Manifestações, em Lisboa, do MDM em 9 de Março e da juventude no 28 de Março, para participações alargadas no 45.º Aniversário do 25 de Abril e poderosas Manifestações do 1.º de Maio.

Em ano de eleições, todos os democratas são chamados a intervir, mas nós, os comunistas temos especiais responsabilidades nas batalhas eleitorais, designadamente os que têm tarefas nas organizações de classe dos trabalhadores, nos sindicatos e outras estruturas da CGTP-IN.

Temos de intervir e ajudar os trabalhadores a votarem bem, de acordo com as suas lutas e aspirações, para que confiem o seu voto àqueles que sempre os apoiam e se solidarizam com as suas reivindicações e lutas, naqueles em quem confiam e a que sempre recorrem para solucionar os problemas com que se confrontam no seu dia a dia, mas em que muitos não votam, optando por dar o voto a partidos e pessoas que sempre os enganou.

Pelo trabalho e dedicação às causas dos trabalhadores, a forma desprendida e , ao mesmo tempo, comprometida como intervimos em defesa dos seus direitos e interesses, os de confiança são os comunistas e os que, connosco, dão corpo à CDU! O voto que garante e não engana é no PCP/PEV, é o voto na CDU! Os trabalhadores precisam de saber isto!

Viva a luta dos trabalhadores!
Viva PCP!
Viva a CDU!

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