Intervenção de Paulo Raimundo, Membro do Secretariado do Comité Central , Encontro Nacional «Alternativa patriótica e de esquerda. Soluções para um Portugal com futuro»

Abertura do Encontro Nacional

Abertura do Encontro Nacional

Alternativa patriótica e de esquerda. Soluções para um Portugal com futuro, é lema do Encontro Nacional do PCP, que aqui hoje realizamos em Matosinhos.

Uma alternativa cada vez mais urgente e necessária como revela a evolução no plano internacional e nacional, uma evolução que confronta o país, os trabalhadores e o povo português, com a necessidade de tomarem opções decisivas quanto ao seu futuro. Com a intervenção do PCP e a luta dos trabalhadores abriu-se uma nova fase da vida política nacional que, apesar das contradições que revela, interrompeu a intensificação da exploração e liquidação de direitos que PSD e CDS tinham em curso e queriam continuar, e levou por diante a reposição de direitos e rendimentos roubados.

Avanços, que não foram mais longe devido às opções do governo minoritário do PS, que em convergência com PSD e CDS, se coloca ao serviço do grande capital, das imposições da União Europeia e submissão ao Euro.

Só que os interesses do grande capital, as imposições da união europeia e a submissão ao euro, são, tal como revelam os problemas nacionais e os seus défices estruturais, incompatíveis com o desenvolvimento soberano do País e os direitos dos trabalhadores e das populações.

Problemas e défices estruturais só possíveis de superar enfrentando os grandes grupos económicos e financeiros, romper com a política de direita e as suas opções, e, com coragem resgatar o País da dependência a que está sujeito. Um dever e uma tarefa que está nas mãos dos trabalhadores e do povo e que exige o alargamento da sua luta.

Uma luta que está em curso e que daqui saudamos, a partir de problemas concretos, pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, pelos salários, contra a precariedade e pelo emprego com direitos, uma luta que se alarga às populações pelo acesso, defesa e reforço dos serviços públicos.

Foi a luta, associada à intervenção do PCP que derrotou o governo PSD/CDS e abriu caminho para a nova fase da vida política nacional; é esta luta que associada à intervenção do PCP é, e será a principal oposição a projectos de retrocesso político, económico e social que estão em curso, e, acima de tudo é, e será essa mesma luta a abrir o caminho da defesa dos interesses soberanos do País e colocar no centro das opções políticas os direitos e anseios dos trabalhadores e do povo.

Dar força a esta luta, reforçar o PCP e a CDU, construir a política alternativa vinculada aos valores de Abril, é este o desafio que está colocado aos trabalhadores, ao povo, aos democratas e patriotas.

É neste quadro que travamos de forma integrada as grandes batalhas que temos pela frente: reforçar o Partido; dinamizar a luta; afirmar a CDU no quadro das batalhas eleitorais.

O PCP e a CDU apresentam-se com o papel único e determinante na derrota política, social e eleitoral do governo PSD/CDS; apresentam-se como os responsáveis pela concretização da nova fase da vida política nacional; como os que, não alimentaram em nenhum momento ilusões face à natureza e opções do PS e que, rejeitando as teses do “quanto pior melhor” intervieram para responder a aspirações mais imediatas dos trabalhadores e das populações não desperdiçando nenhuma oportunidade para levar por diante a reposição e conquista de rendimentos e direitos.

E é porque assim somos, e é pelo que defendemos, e é pelo papel que temos, que os sectores reaccionários, não nos perdoam. Não nos perdoam porque estivemos e estamos na primeira linha da justa luta dos trabalhadores e das populações; não nos perdoam porque perante a situação do País, não abdicamos de identificar a política de direita de sucessivos governos do PS, PSD e CDS como os responsáveis pelos problemas estruturais do País; não nos perdoam porque o nosso único compromisso é com os trabalhadores e com povo; não nos perdoam porque ao contrário do que desejavam, não comprometemos a nossa independência política, não abandonamos o nosso projecto nem a luta por um país desenvolvido e soberano.

Não nos perdoam porque não abdicamos de valorizar o que com a luta foi possível conquistar e por não prescindimos de mobilizar para a justa luta dos trabalhadores e das populações, não nos perdoam porque, mesmo numa luta desigual, e ao contrario do que gostariam, não nos encolhemos nem ficamos na defensiva, e com coragem enfrentamos as mentiras, as deturpações, os silenciamentos, a calunia, enfrentamos-los com o que temos, a nossa unidade, a verdade, e a nossa arma mais poderosa – o colectivo partidário.

Andar para trás não, avançar é preciso. Mais força ao PCP e à CDU.

Eleições a 26 de Maio para o Parlamento Europeu, a 22 de Setembro para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira e a 6 de Outubro para Assembleia da República. Três eleições distintas, um objectivo comum - reforço da CDU em votos e em mandatos.

É com confiança e determinação que as enfrentamos, com a confiança de quem tem razão, apresenta e tem soluções e luta por um Portugal de progresso, mais justo, desenvolvido e soberano.

Confiança que resulta da nossa intervenção, do reconhecimento dos trabalhadores e do povo, da determinação de não há solução para os problemas nacionais pela mão de governos PSD/CDS ou de governos do PS, muito menos com um PS reforçado.

É com esta confiança e determinação que olhamos para as batalhas eleitorais como uma oportunidade de, conjuntamente com os nossos aliados do Partido Ecologista “Os Verdes”, da Associação Intervenção Democrática e com os inúmeros democratas e patriotas sem filiação partidária, que daqui saudamos, levar por diante uma enorme acção política e de massas, numa campanha que já ai está, privilegiando a mobilização e o esclarecimento dirigida ao povo e aos trabalhadores, aos patriotas, democratas e personalidades independentes que querem outro rumo para o país para que, pela sua luta e pelo seu voto na CDU, abram caminho a uma política patriótica e de esquerda.

Afirmar e assimilar os eixos fundamentais da política patriótica e de esquerda e encontrar as formas e os caminhos para levar à escala de massas esses mesmos conteúdos e objectivos de luta; contribuir para munir o colectivo partidário da compreensão da situação em que intervimos e as grandes ideias para o debate político e ideológico que travamos e travaremos; definição das linhas força para as batalhas eleitorais e de como desenvolveremos uma grande jornada política de contacto directo e de massas e reforço eleitoral da CDU; criar melhores condições para reforçar o Partido e dessa forma reforçar e elevar a luta de massas; são alguns dos objectivos que nos propomos para o nosso Encontro Nacional.

Sem menosprezar as exigências, sem menosprezar a dimensão da ofensiva de que somos alvos, mas com a certeza e a confiança de que temos a razão do nosso lado, a luta do nosso lado, as soluções do nosso lado, vamos ao trabalho.

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