Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Apresentação da Candidatura da CDU aos Órgãos Municipais do Porto

A CDU é a força indispensável para a defesa dos mais genuínos interesses das populações do Porto

A CDU é a força indispensável para a defesa dos mais genuínos interesses das populações do Porto

Quero saudar-vos a todos e saudar todos aqueles que connosco estão neste projecto democrático e unitário da CDU, designadamente os nossos amigos do Partido Ecologista “Os Verdes”, da “Intervenção Democrática” e os inúmeros independentes que têm na nossa Coligação um espaço privilegiado de participação, debate e realização ao serviço das populações.

Uma saudação especial aos primeiros candidatos da CDU à Câmara Municipal e Assembleia Municipal do Porto, respectivamente, camaradas Ilda Figueiredo e Rui Sá, aos quais desejamos bom trabalho e êxito nesta batalha eleitoral que agora iniciamos, e que é também nossa.

Candidatos com uma grande experiência nos mais diversos domínios da nossa vida colectiva, conhecedores da realidade, dos problemas e dos desafios que se colocam ao desenvolvimento não apenas do seu concelho, da sua cidade, mas também de toda esta região do Porto e do próprio País. Candidatos com provas dadas no serviço público aos mais diversos níveis de responsabilidade. Candidatos que deram provas de uma inexcedível disponibilidade para servir as populações. Candidatos de reconhecida capacidade de realização e competência, enraizada na identidade e cultura das suas gentes e desta terra que é também sua!

Candidatos que dão expressão e rosto a um projecto distintivo – o projecto da CDU -, assente no trabalho, na honestidade e na competência, como solução e proposta alternativa à gestão de PS, PSD e CDS-PP e de todos aqueles que assumem, no essencial, o mesmo modelo e princípios de gestão autárquica.

Candidatos que, estamos certos, vão contar com o apoio de muitos mais homens e mulheres deste concelho que, com o seu apoio e o seu voto, vão reforçar a CDU e o seu projecto alternativo, e elevar a CDU para novos e mais elevados níveis de responsabilidade e intervenção, na gestão e definição da política municipal.

Vamos para este combate eleitoral convictos de que estamos em condições de fazer destas eleições, num contexto em que outros parecem abdicar de uma candidatura própria, um momento de construção de um resultado que projecte a CDU como uma forte e decisiva força que conta no poder local no Porto.

Vamos para estas eleições com a confiança de quem provou ser capaz de se assumir, como uma voz indispensável na defesa dos interesses das populações, que deu corpo a causas e aspirações locais, e assegurou uma presença crítica, exigente e construtiva.

Temos um passado de realização nas autarquias e um projecto alternativo de esquerda no Poder Local no País que não deixam dúvidas quanto ao sentido e rumo da nossa intervenção na defesa do interesse público e das populações.

Somos uma força que faz da participação popular e da proximidade às populações o eixo fundamental do seu estilo de exercício de poder, assente numa política de verdade e transparência com as populações.

Uma força com uma justa política de permanente estímulo à aproximação e cooperação dos eleitos e à unidade das populações em torno dos seus problemas concretos, tal como para o estabelecimento de justas relações entre eleitos e trabalhadores, e no respeito pelos seus direitos.

Somos uma força que, como nenhuma outra, se afirmou pelo rigor posto na gestão urbana, na valorização do espaço público, na atenção dada ao ambiente, na concretização em níveis superiores de prestação de serviços básicos, opções e critérios de igualdade e justiça social. Num impulso inigualável na democratização da cultura, na valorização do património e na generalização da prática desportiva.

Somos uma força com uma intervenção distintiva na representação dos interesses populares, um percurso de incansável defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo, uma voz e acção permanentes contra todas as tentativas de retirar direitos, empobrecer as populações, negar os investimentos necessários ao desenvolvimento.

E, sobretudo, uma coerente e corajosa afirmação do carácter público da gestão e de combate à fúria privatizadora que tem dominado nos últimos anos, e que continua presente na política portuguesa nacional e autárquica.

Uma força que não se resigna face às injustiças e às desigualdades, que afirma com confiança que é possível uma política diferente.

As próximas eleições autárquicas constituem uma batalha política de grande importância pelo que representam no plano local, mas também pelo que podem contribuir para dar força à luta que travamos nesta nova fase da vida política nacional para melhor defender os interesses dos trabalhadores, do povo e do País, e de afirmação da alternativa, patriótica e de esquerda que o País precisa.

Nestes últimos tempos os portugueses puderam verificar quão importante é ter esta força consequente que se congrega na CDU e de que fazem parte o PCP, o Partido Ecologistas “Os Verdes”, a ID e milhares de independentes, para fazer avançar a política de recuperação, reposição e conquista de direitos, retirados aos trabalhadores e ao povo nos últimos anos.

E quanto é importante o reforço desta força agregadora para que se renove e amplie o horizonte de esperança que a luta dos trabalhadores e do nosso povo abriu, e que permitiu o afastamento do PSD e CDS do governo.

Importante, particularmente, quando vemos retomar as pressões e as ameaças dos que só têm como única opção o regresso ao passado. A esse passado que o País conhece de agravamento da exploração do nosso povo, de declínio e retrocesso do País.

Veja-se como, nestes últimos dias, regressaram as exigências e as declarações acintosas e danosas de alguns dos principais responsáveis da União Europeia, nomeadamente do Eurogrupo que têm inevitáveis impactos negativos para o País, nomeadamente sobre as taxas de juro.

Até aqui era o défice das contas públicas o pretexto destes senhores para as exigências e para as pressões.

Entretanto, nunca como agora, o défice das contas públicas foi tão baixo. Portugal melhorou significativamente o seu saldo orçamental. Teve uma redução maior do que o compromisso que o governo estabelecera com Bruxelas. O próprio saldo primário, isto é o saldo sem os juros da dívida, teve um excedente maior do que o que o governo previa no Orçamento e bem mais elevado do que o do ano anterior, e até os indicadores económicos acusam melhorias.

Seria de esperar por tudo isto que as taxas de juro nos mercados nos fossem mais favoráveis. Mas não. E porquê?

Dizem-nos que é porque o BCE reduziu as compras de Títulos da Dívida, o que é verdade, e que o plano de compras terminará no fim do ano por pressão da Alemanha.

O que não é mentira, mas não explica a razão por que é que as taxas de juro subiram muito mais para Portugal do que para os outros países.

Argumentam os comentadores de direita, que tal resulta do facto de os mercados não terem confiança de que Portugal possa pagar a dívida, devido a estar a repor salários e reformas muito depressa!

Que a dívida não é sustentável é uma realidade, mas já o era há um, há dois, há três e mais anos. E se o problema fosse esse, a desconfiança, como se explica que na última ida aos mercados, a procura da dívida portuguesa foi várias vezes superior à oferta?

Os chamados mercados sabem que estão seguros, que ganham bom dinheiro com a dívida pública, a começar pela banca que recebe da República uma taxa de 4% e os vai descontar no BCE a taxas irrisórias. A razão está na especulação. Os especuladores sentem as costas quentes e sentem-se estimulados pelas declarações contínuas e verrinosos ditotes do presidente do Eurogrupo e do presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, dois capatazes do intratável ministro das finanças do governo alemão. Apesar de ter cumprido o défice, apesar de ter um saldo primário como nunca teve, aqueles senhores repetem publicamente que Portugal tem de avançar com reformas (leia-se reduzir salários e pensões)...

É o que os especuladores querem ouvir, para assim terem a justificação para aumentarem as taxas de juro no chamado mercado secundário e criarem sérias dificuldades ao financiamento do País.

Face a todas estas declarações insidiosas não se ouve da parte de uma certa direita e dos seus comentadores qualquer indignação. Pelo contrário há júbilo. Portugal que se lixe!

Têm a mesma opinião que o ministro das finanças alemão que gostaria de acabar rapidamente com a experiência portuguesa que permitiu, e está a permitir, a reposição de rendimentos e direitos, que na sua opinião é um mau exemplo para a Europa.

Mas tudo isto só mostra que Portugal tem de recuperar a sua soberania, incluindo a monetária e deixar de estar dependente da chantagem sistemática dos especuladores, dos grandes interesses e de quem os representa.

Portugal necessita de, com urgência, colocar em cima da mesa a questão da renegociação da dívida, a questão do Euro e recuperar os instrumentos indispensáveis para resolver os problemas do País, seja o desemprego, a precariedade, os baixos salários e as baixas reformas, os insuficientes níveis de crescimento económico e a injusta distribuição da riqueza.

Precisa de romper o cerco que lhe impõem e isso exige se avance para outro patamar de resposta com uma política verdadeiramente alternativa – patriótica e de esquerda.

Alterar a actual correlação política de forças na sociedade portuguesa, dando mais peso à CDU e às forças que a compõem é um factor incontornável na criação das condições para a concretização dessa política alternativa.

Quem nos conhece sabe que pode contar connosco, com o empenhamento dos nossos eleitos e a sua dedicação ao serviço das populações e do desenvolvimento.

Por isso, dizemos, com toda a convicção, que em toda a parte e, particularmente, aqui no Porto, a CDU vale a pena. Vale a pena pelo trabalho positivo e eficaz que a CDU desenvolve, pelas suas propostas, pela seriedade, isenção e sentido de responsabilidade que os eleitos da CDU colocam na exercício das suas funções, pela voz que dá nas autarquias aos problemas, aspirações e reclamações das populações que, de outra forma, seriam esquecidos e desprezados.
Temos as ferramentas necessárias - o trabalho, a honestidade e a competência!

Por isso, com segurança dizemos: vamos para estas eleições com a confiança e a convicção de que é possível dar um significativo impulso no reforço eleitoral da CDU e afirmá-la como uma força indispensável e necessária para a defesa dos mais genuínos interesses das populações do Porto e, ao mesmo tempo, com mais CDU acrescentar força à luta e à razão de todos os que aspiram a uma outra política, patriótica e de esquerda no plano nacional, capaz de dar resposta à solução dos problemas do desenvolvimento do País e de cada uma das suas regiões!

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