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Datas da História
As primeiras autárquicas
Foi há 26 anos, o aniversário passa a 12 deste mês, que se realizaram em Portugal as primeiras eleições autárquicas dignas desse nome. «As eleições consolidaram a democracia e a liberdade», podia ler-se no editorial do Avante! a seguir ao acto eleitoral. E recordava que chegava ao fim, com a realização deste acto eleitoral, «o ciclo prolongado e complexo de institucionalização do Estado democrático português», a que a Revolução de Abril tinha dado espaço de concretização. Tratava-se, com efeito, do terceiro acto eleitoral para órgãos do Estado - Assembleia da República, Presidente da República e, desta vez, órgãos autárquicos.
«Portugal votou na democracia a caminho do socialismo!», titulava o nosso jornal, salientando que a Frente Eleitoral Povo Unido (FEPU), coligação em que o PCP maioritariamente participava, havia obtido 18 por cento dos sufrágios, conquistando a presidência em 37 municípios (33 com maioria absoluta), alcançando 267 mandatos para as câmaras e obtendo fortes posições nas assembleias municipais.
O Avante! assinalava alguns factos decorrentes do acto eleitoral - a deslocação do eleitorado para a esquerda; a significativa votação na FEPU; a derrota dos partidos da direita, PPD e CDS, cuja votação lhes cortava o passo às ambições de usaram os resultados «para nova ofensiva contra a democracia»; a vitória da FEPU no zona da Refporma Agrária e nas de grande concentração operária, significando que «os trabalhadores reafirmaram a sua determinação de defenderem as conquistas da Revolução contra a ofensiva da direita e contra a política de recuperação capitalista do governo do PS».
O nosso jornal assinalava ainda o completo isolamento dos grupelhos esquerdistas, apesar de haverem ainda beneficiado, com a sua acção, as forças da direita. E sublinhava os «importantíssimos progressos» registados pela FEPU nas regiões do Centro e Norte do País, «o que revela», escrevia-se, «a crescente recusa das massas populares contra a dominação dos caciques reaccionários», abrindo «importantes perspectivas de trabalho».
«E agora, que fazer nas autarquias em que ganhámos?», perguntava-se num artigo então publicado. «Que fazer com a vitória?»
«A nível local», pode ler-se, «esta vitória não se traduz apenas numa mudança de personalidades à frente dos órgãos de poder. As autarquias onde os democratas foram eleitos estão agora ao serviço das populações e os comunistas vão cumprir os compromissos que assumiram, vão continuar a lutar pela concretização das aspirações populares, vão assim utilizar a favor das populações a vitória do Povo Unido».
«A luta, que é como quem diz o trabalho, vai continuar.»
E continuou. Esta foi uma vitória de há 26 anos. Outras se lhe
seguiram. E derrotas e recuos também. O que não mudou, porém,
foi a determinação dos comunistas em agir de acordo com os seus
princípios e ideais democráticos, de se manterem na vanguarda
da luta dos trabalhadores e das populações pelos seus direitos,
de construir uma vida mais livre e justa.![]()
«Avante!» Nº 1514 - 5.Dezembro.2002