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Mulheres discriminadas no desporto
Promover a igualdade
Tem vindo a decrescer ao longo dos anos a participação das mulheres no desporto. Vários indicadores apontam nesse sentido. Para a deputada Margarida Botelho, que levou o assunto a plenário, este é o reflexo de uma política desportiva que não contempla a promoção da igualdade de oportunidades, ao contrário do que se passa internacionalmemte.
Em intervenção no período antes da ordem do dia, proferida faz hoje uma semana, a parlamentar do PCP suscitou a questão a propósito de notícias recentes denunciando o comportamento de dois clubes madeirenses de voleibol e futebol que penalizam as sua atletas caso estas engravidem.
Margarida Botelho não tem dúvidas de que se trata de uma grave discriminação sobre as mulheres, a juntar a muitas outras registadas nos planos social e político. E os números, a este respeito, não deixam dúvidas: apenas 14 por cento das mulheres portuguesas - menos quatro por cento do que há dez anos - praticam desporto, contra 31 por cento dos homens. Em competição, a percentagem não chega a um por cento. Uma realidade bem diferente da que ocorre em outros países, como observou Margarida Botelho: «24 por cento das mulheres em Espanha praticam desporto; 63 por cento na Holanda; 67 por cento em França; 70 por cento na Suécia».
O panorama não é melhor quando se aborda a percentagem de mulheres nas nossas delegações olímpicas (continuamente a descer desde 1984) ou a sua participação nos Jogos Paralímpicos (caiu de 39 por cento em 1988 para 13 por cento em 2000), o mesmo sucedendo a outros níveis da vida desportiva, como sejam a sua integração nas direcções dos clubes e federações desportivas, que não chega aos dez por cento.
Claro que nada disto é fruto do acaso, antes resulta da ausência
de uma correcta política desportiva capaz de estimular e promover a participação
em igualdade. Confirma-o, entre vários outros, o facto de nenhum contrato-programa
contemplar a promoção do desporto feminino, como sublinhou Margarida
Botelho, que acusou o Governo de impedir a divulgação de estudos
elaborados pelo próprio Centro de Estudos e Formação Desportiva
sobre a problemática da actividade física das mulheres.![]()
«Avante!» Nº 1433 - 17.Maio.2001