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Na Ovibeja
Alqueva tem fins múltiplos
«O PS tem uma grande oportunidade de virar à esquerda aprovando
o projecto de lei do PCP sobre a reforma agrária na zona de influência
de Alqueva», disse em Beja o secretário geral do PCP. Carlos Carvalhas
fez estas declarações durante uma visita à 18ª Ovibeja,
tendo reafirmado que a questão central do desenvolvimento da agricultura
alentejana é a questão do uso e da posse da terra.
O secretário geral do Partido Comunista Português visitou no domingo à tarde a 18ª Ovibeja, a grande feira do Alentejo e de todo o Sul, este ano sem os tradicionais concursos, leilões e exposições de gado devido às medidas preventivas contra febre aftosa.
Carlos Carvalhas, acompanhado por dirigentes nacionais e regionais do PCP, pelo deputado comunista eleito pelo círculo de Beja, Rodeia Machado, e por autarcas da CDU da região, foi acolhido pelo presidente da Associação de Criadores de Ovinos do Sul, Castro e Brito, principal organizador da feira. Percorreu a vasta área onde se encontram os stands de mais de um milhar de expositores e dedicou especial atenção à zona onde se localizam os pavilhões dos municípios alentejanos e das suas associações, das Regiões de Turismo de todo o país, de associações de desenvolvimento local e da Agência Regional de Energia, tendo recebido informações do presidente da Associação de Municípios do Distrito de Beja, João Rocha, e do presidente da Região de Turismo da Planície Dourada, José Parrinha.
Contra «a monocultura
do turismo irrigável»
Falando aos jornalistas, Carlos Carvalhas saudou a realização da Ovibeja, «uma feira com tradições», ainda que este ano tenha condicionalismos a proibição de apresentar gado, motivada pela prevenção da febre aftosa adoptada pela União Europeia. Mas, apesar disso, a feira vai continuar a atrair muita gente, segundo o dirigente do PCP, porque «é também uma manifestação de cultura, de representação dos produtos da terra, da gastronomia, do artesanato». Quanto à ameaça da febre aftosa, Carvalhas disse que «o que é preciso é resolver a questão com medidas positivas e não de fachada».
O secretário geral do PCP criticou o Governo e o primeiro-ministro por não praticarem uma política que favoreça o desenvolvimento do interior do país e afirmou que o PS tem agora uma grande oportunidade de virar à esquerda «aprovando o nosso projecto de reforma agrária» para a zona de influência de Alqueva. Recordou que o PCP apresentou na Assembleia da República um projecto de lei «para que toda a zona irrigada tenha um aproveitamento racional, para que se possam fixar as populações, para que as explorações familiares possam singrar, para que a terra possa ser distribuída pelos agricultores, pequenos e médios, e pelos assalariados agrícolas». E embora considerando que as questões das explorações familiares e do regadio intensivo têm também que ser vistas, diz que a questão central da agricultura alentejana, em especial da zona de regadio de Alqueva, continua a ser a questão do uso e da posse da terra.
Ainda sobre Alqueva e as preocupações ambientais, Carlos Carvalhas
afirmou que este é um projecto que deve ter fins múltiplos
agricultura, valia eléctrica e turismo , mas que «nós
também tememos que se passe da monocultura de sequeiro para a monocultura
do turismo irrigável», transformando-se toda aquela zona «em
campos de golfe».![]()
«Avante!» Nº 1425 - 22.Março.2001