Próximo artigo


Seixalíada mobiliza
mais de 6 mil atletas
A grande festa
do desporto popular

• José Augusto


A XVII Seixalíada encerrou com uma festa que levou muita alegria à Quinta da Marialva, em Corroios, na noite do passado dia 9 de Outubro. Foi o culminar de 23 dias de intensa actividade desportiva, cuja verdadeira amplitude transparece nos números que ressaltam de um balanço provisório: 302 eventos desportivos, cerca de 11 mil participações em 37 modalidades, 30 locais de jogo, cerca de seis mil atletas, centenas de dirigentes, treinadores, massagistas e árbitros em acção.

É inegável que esta festa do desporto popular só é possível porque assenta em três entidades que se afirmam como verdadeiros agentes do desenvolvimento desportivo: as autarquias – neste caso, a Câmara do Seixal e as seis freguesias do concelho -, o Movimento Associativo e a Comunidade Escolar. Na verdade, a Seixalíada «ganhou ao longo dos anos o estatuto de um dos eventos mais emblemáticos do desporto popular em Portugal», como realçou Alfredo Monteiro, presidente da Câmara do Seixal. Dificilmente isto teria acontecido sem o referido triângulo virtuoso, composto por forças que elevaram o concelho a um importante centro cultural e desportivo da Área Metropolitana de Lisboa e do país.

Evento emblemático

Quem viveu a Seixalíada, seja como atleta ou organizador, certamente compreende todo o alcance das palavras daquele autarca na Festa de Abertura: «Esta festa, quase duas décadas depois da I Seixalíada, é, acima de tudo, um encontro de pessoas que se renova em harmonia pessoal de homens e mulheres e jovens, que vivem e sentem a nossa terra, no orgulho do património colectivo que construímos em 25 anos de Abril, na partilha do projecto municipal comum ao Poder Local, às instituições, às comunidades e à família, cimentado no diálogo permanente, na participação assumida, na parceria abraçada.»

Para se entender este figurino de desenvolvimento desportivo, pioneiro no nosso país e tomado como modelo em locais distantes da fronteira do concelho do Seixal, não podemos esquecer um facto muito importante: é que, além de ter como suporte uma grande capacidade e experiência organizativa, ele é fruto do espírito colectivista, eminentemente social, dos Seixalenses, da sua forma muito peculiar de entender a vida, da sua confiança no futuro.

Por isso mesmo, os Seixalenses encaram o desporto como forma saudável de ocupação dos tempos livres, de reforço do espírito comunitário e da elevação da qualidade de vida. Não se trata aqui de fazer campeões, mas de cativar o maior número possível de cidadãos para hábitos regulares de exercício físico. O que não quer dizer, bem entendido, que atletas não tenham alcançado a alta competição depois de terem participado na Seixalíada ou noutras provas populares. O caso de Carla Sacramento, que se estreou como atleta numa prova da Seixalíada, é porventura o mais conhecido, embora longe de ser o último.

Regresso às origens

A Seixalíada conheceu a sua primeira edição em 1982, tendo-se repetido anualmente desde então, excepto em 1986. Salvo alterações de pormenor, o seu figurino manteve-se inalterável ao longo do tempo. O ano passado, porém, os responsáveis decidiram lançar um modelo traduzido na palavra de ordem «Seixalíada todo o ano». Analisados os resultados, verificou-se que se haviam quedado aquém dos esperados. Por conseguinte, assistimos este ano a um regresso ao modelo original, quer dizer, Seixalíada enquadrada em três semanas de competições. O êxito confirmou-se, embora haja aspectos organizativos que possam ser melhorados.

Entretanto, os Jogos do Seixal, que neste ano de 2000 sofreram um novo impulso, preenchem desportivamente grande parte do período não abrangido pela Seixalíada.

Construção dos caminhos da vida

Seixalíada e os Jogos do Seixal são componentes de uma filosofia do desenvolvimento desportivo. Agora que os modestos resultados de Sidney nos arrastam – ou nos deviam arrastar - para o repensamento de toda a problemática do desporto em Portugal, exemplos como os do Seixal não podem ser postos de lado. É que também nesta área, como em todas as outras, o Poder Local se apresenta como um poderoso instrumento dinamizador. São de sublinhar, por conseguinte, as palavras com que Alfredo Monteiro deu por encerrada a edição de 2000 da Seixalíada: «A Seixalíada tem sido e é o rosto do desporto para todos incarnado num projecto municipal onde o desenvolvimento desportivo, o apoio ao Movimento Associativo e às escolas e o investimento em equipamentos tem sido e será uma prioridade do Poder Local. Nesta edição e ao longo de quase duas décadas, a Seixalíada não foi apenas um evento desportivo: tem sido e é, acima de tudo, uma festa do município na expressão da vitalidade do Movimento Associativo e do incomensurável alcance social da sua actividade, do inestimável trabalho das escolas do concelho na construção dos caminhos da vida.»

«Avante!» Nº 1403 - 19.Outubro.2000