Terrakota

Da Terrakota germina uma música orgânica enraizada na África negra que bebe sonoridades do Sahara, das Caraíbas, das Índias, do Ocidente e cresce sob o sol Jamaicano. Travessias, viagens sem princípio nem fim, sem identidade e sem passaporte. Estudos, assimilação, confronto, encontro de fontes e raízes interligadas entre si e o planeta. Síntese, fusão, energia, paixão, alegria, ritmo que misturam culturas e instrumentos em direcção aos chakras da simplicidade e bem estar... Reproduzir, reinventar, recriar, tocar, dançar, denunciar, despertar para o estado do mundo em que vivemos por opção ou por obrigação.

Terrakota é festa, calor, sonho, cor, ritmo e amor. A partir da espontaneidade de cada um, este grupo de «cozinheiros de meio dia» faz magia... brinca com a mistura de sons, ritmos e culturas do planeta. Cada música é uma viagem, cada viagem uma música. Alcançar e fazer despertar mentes e idéias e vibrações positivas em cada ouvinte é um dos objectivos mais presente nos espectáculos desta família. Uma transmissão de energias sem idades, idiomas ou estilos definidos de fronteiras abertas e vistos caducados.

Na maioria dos casos, a música africana é simplesmente a expressão da vida através de sons, na qual o músico além de imitar a natureza usando instrumentos musicais «naturais», reverte também o processo ao pegar em sons naturais para incorporá-los na sua música. Este é o ponto de partida dos Terrakota que baseando grande parte da sua música em harmonias e ritmos tradicionais e populares africanos e usando uma série de instrumentos de vários pontos do globo, parte dos habituais instrumentos dos grupos ocidentais (baixo guitarra e bateria), executam uma fusão cuidada em que cada novo som ocupa o seu espaço na trama rítmica sob a qual os temas se vão desenrolando.

Numa época em que a maioria das vertentes da música moderna ocidental parece avançar vertiginosamente para um beco sem saída, muitos músicos do ocidente estão a virar-se para novas referências dos quatro cantos do mundo. Procuram, assim, criar novas sonoridades e dar à sua música a alma que ela tarda em encontrar no Mundo Ocidental, em que quase tudo é produzido por um cérebro humano sozinho, em frente do seu mega computador. É como se em tal planeta Terra, em avançado estado de degradação, a música ocidental também precisasse de um porcesso de desintoxicação, um regresso à natureza para poder voltar a respirar. Em 1999, três músicos do grupo depois de alguns anos de estudo aprofundado da percussão mandinga, fazem uma viagem de 3 meses à África ocidental (Senegal, Mali, Burkina Faso e Costa de Marfim, onde entram em contacto com uma variedade de novas harmonias e rítmicas com uma pureza e simplicidade desconcertante. O grupo é criado logo ali e inicia as suas primeiras experiências em solo africano, bebendo ensinamentos tanto de músicos de casta como de simples cidadãos africanos. Antes do regresso, adquirem uma série de instrumentos tradicionais ( construídos com matérias primas provenientes da natureza) e aprendem os rudimentos das técnicas usadas para tocá-los e construí-los. Já em Lisboa continuam o trabalho iniciado em África e acompanhando o crescimento do grupo integram numa 1ª fase três elementos de proveniência musical diversa e, no ano seguinte, o último dos sete músicos actuais do grupo. Ao longo destes dois anos de trabalho o grupo vai dando passos seguros e planeados na criação dum som próprio quente e exótico e na realização de espectáculos contagiantes nos quais o público é levado numa viagem transafricana a terminar em grande festa. Hoje, a música dos Terrakota pode ser descrita como uma efervescente fusão de sonoridades africanas provenientes tanto do continente-mãe de todos os destinos migratórios do povo africano espalhados pelo planeta, sendo todas as influências catalisadas numa recepção de energias vibrantes e explosivas. O grupo também partilha com os africanos uma forte paixão pelo reggae, que duma forma geral tem em África a dimensão que o pop-rock tem no Ocidente, dando-lhe grande destaque no desenvolvimento do seu trabalho.

Composição:
Alex – Guitarra, N’Goni, Djembé e Tablas;
Humberto – N’Goni, Ballafon, Didjeridoo, Djembé, Darbuka, Dunus, Talking Drum, Bateria e percussões;
Junior – Von, guitarra, ballafon, djambé, sabar, melódica e talking drum;
Francesco – Baixo;
Natan – Congas, darbuka, cuíca, dununs, melódica e percussões;
Rami – Voz;
David – Bateria, ballafon, percussões e voz;

Discografia:
1 – Terrakota
2 – Humus Sapiens – 2004;

Site:
http://www.terrakota.home.sapo.pt