Nancy Vieira

Nancy Vieira apresentou em 2004 o seu álbum «Segred» com produção musical do já consagrado compositor, músico e produtor Toy Vieira, contando igualmente com a colaboração de Djim Job, nos arranjos e orquestração.

Em «Segred» conta ainda com a colaboração de um naipe de músicos de excelência: Vaiss, Zé António, Kau Paris, Dalu e Iduino Tavares, entre outros.

Com este novo trabalho, que desde logo conquistou o público e a crítica, Nancy confirma-se como uma referência obrigatória do panorama da world music.

«Segred» lança Nancy no mundo profissional e colocou-a em palcos internacionais, como o Reino Unido, Holanda, Angola, entre outros. Há quem lhe chame a sucessora de Cesária Évora.

Em palco, nota-se uma entrega total, através dos seus olhos expressivos, que às vezes fecha como que para deixar a morna percorrer-lhe a alma, criando momentos de magia, que embalam o público e o transportam até ao arquipélago, passando pelas nove ilhas...

O que oferece através da sua versatilidade é um inesgotável reportório de coladeras, funaná, colá, Sam Jon, entre outros géneros.

Apesar de tímida, no palco Nancy Vieira transmite um enorme à vontade, emoldurada na espontaneidade do estar e na docilidade da voz grave e firme, que não deixa dúvidas de que ser artista é uma coisa que lhe vem de dentro. Numa combinação de sorriso e olhar contagiantes, não se consegue associá-la senão a «uma pessoa feliz».

Nancy Adelaide Vieira nasceu na Guiné Bissau em 1975, onde os pais se encontravam na preparação da independência de Cabo Verde. O pai, Herculano Vieira, natural da Boavista, ocupou o cargo de embaixador de Cabo Verde em Portugal em 1989 e a mãe, Henriquette Vieira, descendente de naturais das ilhas e natural do Senegal, foi secretária de Amílcar Cabral. Talvez por isso alguns amigos dos pais a tratassem por «independência».

Chegou a Cabo Verde com meses e foi neste arquipélago que a sua paixão pela música despertou. Cantava entre amigos e em casa, acompanhada ao violão. Aos catorze anos vem viver para Lisboa.

Enquanto prossegue os estudos, continua a cantar entre amigos e em 1995 apresenta-se pela primeira vez em público num concurso do qual foi vencedora e cujo prémio se concretizou na gravação do seu primeiro disco «Nos raça». As palavras são suas: «Um dia acompanhei um colega a um ensaio para participar num concurso de vozes africanas, organizado pela discoteca «IF». Peguei no microfone e acompanhei-o a cantar. Quando terminei reparei que todos estavam a olhar para mim com ar surpreso...» Recorda ainda ter cantado a morna «lua nhá testemunha» acompanhada por Gaby Fernandes ao violão.

Este disco chamou de imediato a atenção do povo caboverdiano, na sua terra e na diáspora, e arrancou definitivamente Nancy Vieira do anonimato.

A sua voz doce e grave começou a marcar pontos e, desde então tem sido convidada a estar em palco com os nomes mais sonantes da música de Cabo Verde, como Cesária Évora, Bana, Tito Paris, Ildo Lobo, Boy Ge Mendes, entre outros.

Em Novembro de 2003, realizou em conjunto com Maria Alice e Lura uma digressão pelo Reino Unido com o espectáculo «Women of Cape Verde», o qual foi alvo das melhores referências, nomeadamente no Jornal Britânico «The Independent».

Nancy é licenciada em sociologia mas assume que a música é que fala mais alto na sua vida, pelo que não teve dúvida ao optar pela carreira artística.

Bana disse nos EUA, onde a ouviu cantar, que: «Nancy Vieira é uma cantora com classe, com larga estrada de sucesso pela frente. É verdade que de quem canta com esta classe, outra coisa não se pode esperar a não ser... êxitos na vida artística».

Composição:
Nancy Vieira – Voz;
António Costa Neto – Baixo;
Abel Baptista – Bateria;
Rolando Semedo – Guitarra;
João Monteiro – Cavaquinho;
Moisés Ramos – Piano.

Discografia:
1 - «Nos Raça» - 1995;
2 - «Segred» – 2004;