Intervenção de Jorge Cordeiro, membro do Secretariado e da comissão Política do Comité Central, Encontro Nacional do PCP «Não ao declínio nacional. Soluções para o País»

Abertura do Encontro Nacional «Não ao declínio nacional. Soluções para o País»

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Camaradas e amigos

Como se afirma no projecto de resolução do Encontro as eleições legislativas deste ano constituem um momento da maior importância.

Um momento importante, uma oportunidade para dar expressão e continuidade à luta pela inadiável ruptura com a política de direita.

Não separamos a próxima batalha eleitoral que vamos travar, da luta e intervenção mais geral que cada dia construímos para dar vida à alternativa política que abra caminho a um Portugal desenvolvido e soberano.

Intervenção eleitoral e luta política que, não só não se contraditam, como se potenciam nesse objectivo maior de abrir caminho a uma política alternativa, patriótica e de esquerda.

Uma batalha onde precisamos de fazer desaguar, com o voto e o apoio à CDU, a corrente de luta contra a política que arrastou o País para a actual situação, de dar sentido e expressão coerente e consequente ao protesto e à resistência em defesa de direitos.

Mas uma batalha, também, de onde sairemos em melhores condições e mais próximos de construir a política alternativa e de lutar pela alternativa política, quanto maior for a influência eleitoral da CDU, quanto maior o número de deputados eleitos.

Um momento importante, uma oportunidade para dar expressão e fazer a afirmação da política alternativa, patriótica e de esquerda tão necessária e urgente quanto o quadro de declínio nacional a que décadas de política de direita e de integração capitalista conduziram o País.

É essa a verdade, por mais que PS, PSD e CDS se esforcem por a iludir: a situação a que Portugal e a vida dos trabalhadores e do povo chegou tem causas e responsáveis. A resposta a essa situação só pode ser encontrada na ruptura com as opções de uma política subordinada aos interesses do capital monopolista e pela rejeição das orientações e instrumentos de dominação da União Europeia.

A situação a que o País chegou radica no rumo imposto pelos partidos da política de direita, na contínua rotação de responsabilidades entre PS, PSD e CDS, no ciclo de alternância que tem logrado impedir a alternativa que séria e verdadeiramente rompa com a política de exploração, empobrecimento e dependência a que têm amarrado o País.

A actual situação do País não é obra do acaso, fatalidade ou praga aqui lançada, mero resultado da crise ou de uma qualquer incontrolável conjugação de factores externos.

Inseparável da natureza do capitalismo e da sua crise estrutural, na raíz dos problemas nacionais está a natureza de uma política concreta, de opções concretas que ao serviço da reconstituição do poder económico do capital monopolista nacional e transnacional é contrária aos interesses dos trabalhadores e do povo e incompatível com o direito ao desenvolvimento soberano do País.

Ao contrário do que PS, PSD e CDS afirmam, nem o rumo de desastre é inevitável, nem Portugal está condenado à política de direita.

É possível um outro caminho e uma outra política. Há soluções e respostas para os problemas nacionais. Há alternativa à submissão e à dependência. Está nas mãos dos trabalhadores e do povo dar expressão, com o seu apoio ao PCP, à construção dessa política alternativa.

Aqui estamos, prontos para assumir todas as responsabilidades que o povo nos queira atribuir, na efectivação e condução de uma política patriótica e de esquerda.

O que PS, PSD e CDS querem iludir é que a resposta aos problemas actuais exige, não o aprofundamento e continuidade de uma política determinada pela lógica do domínio do capital monopolista, mas sim a ruptura com essa política e a concretização de uma alternativa política, patriótica e de esquerda vinculada aos valores de Abril.

O que PS, PSD e CDS querem esconder - por mais artifícios políticos, jogos de palavras ou falsas ilusões que semeiem – é que o PCP se apresenta como portador dessa política alternativa e parte insubstituível e indispensável da alternativa política que urge construir para assegurar o desenvolvimento soberano de Portugal.

Bem podem PS, PSD e CDS tecer armas sobre quem pior deixou o País, quando todos e cada um carrega às costas os instrumentos – do PEC ao Pacto de Agressão, da moeda única ao Tratado Orçamental – que afundaram Portugal e a vida do povo.

Percebe-se o esforço que fazem para iludir responsabilidades e destruir a esperança em outro caminho e outra politica. Servidores de turno à política de exploração e empobrecimento é o prosseguimento da política de direita que querem garantir.

É ver uns, a decretar que o PCP só protesta, não tem soluções. Cingidos ao seu pequeno mundo da política de direita, tudo o que nele não caiba não existiria. Com esta falsa acusação fazem “três em um”: tentam limpar-se de terem assistido durante quatro anos comodamente sentados à destruição do País; pretendem negar o valor e a crescente percepção de que há alternativa e soluções; ambicionam decretar como inevitável e única a cartilha de declínio, retrocesso e dependência que se propõe prosseguir.

É ver outros, perante a inegável actualidade da política alternativa que propomos, não poder negar que o PCP tem soluções mas a rotulá-las de irrealistas.

Ou porque não há dinheiro, dizem uns ou, segundo outros, porque os mercados não deixam ou porque Merkel e a troika não querem.

Todos procurando impedir que fique claro a opção que fazem de manter o País amarrado à dependência, de usar os constrangimentos externos como pretexto para intensificar a exploração e a liquidação de direitos, de justificarem a promoção dos lucros dos grupos económicos, de prosseguirem o assalto aos rendimentos dos trabalhadores e do povo.

Todos iludindo que se à vontade e opção soberana de um povo, for possível juntar a determinação de corresponder a essa aspiração de ruptura, e contar, sobretudo, com a mobilização e a luta dos trabalhadores do povo, - então estarão criadas as condições, com mais ou menos dificuldades, para resistir a chantagens e pressões, para rejeitar os mecanismos e instrumento de dominação da União Europeia.

É ver outros, ainda, a multiplicarem-se em engenhosos exercícios de mudança para manter tudo igual, seja pelas chamadas leituras inteligentes ou pela flexibilização dos instrumentos de dominação da integração capitalista, seja louvando a agora inventada descoberta de mudança nas instituições europeias.

Todos iludindo a questão crucial: que a concretização da alternativa exige que clara e inequivocamente se estabeleça o trajecto que a viabilize. Ou seja, a assumida opção de ruptura com a política de direita em todos os seus eixos estruturantes e de cada um dizer de forma clara, como pretende romper com ela.

É essa a fronteira que separa alternativa e alternância. Tudo o resto, da conversa sobre recusas do conceito de arco da governação ou súbitas disponibilidades para convergência à esquerda, é mera retórica.

Aos que como o PS, e os satélites que em seu torno gravitam, repetem e repetem a conhecida lamúria, para enganar distraídos, da falta de diálogo à esquerda para justificar percursos de direita, lhes dizemos: atravessem o rio da política da direita, venham para esta margem, para este lado dos que como o PCP propõem e lutam por uma política patriótica e de esquerda, e cá nos encontrarão.

Aqui onde sempre estivemos, com os trabalhadores, o povo, o país; do lado da soberania, da justiça social, de um Portugal desenvolvido e soberano.

Fazer emergir uma alternativa política, patriótica e de esquerda, constitui imperativo nacional.

Imperativo que corresponde a uma legítima aspiração dos trabalhadores e do povo, de todos os democratas e patriotas.

É na concretização dessa alternativa que o PCP está genuinamente empenhado. Objectivo não só necessário como possível, tão indispensável quanto inadiável.

A política patriótica e de esquerda de que Portugal precisa não depende apenas do PCP, mas não é concretizável sem o PCP, e muito menos contra ele.

Política alternativa, tão mais próxima quanto mais ampla a nossa influência E tão mais garantida quanto, como os trabalhadores e o povo sabem, não será nunca o PCP que faltará com a sua presença e intervenção a uma política patriótica e de esquerda.

Camaradas

Como se afirma no projecto de resolução, o PCP apresenta-se perante o povo português como o Partido:

- da soberania e da independência nacionais, que afirma o direito do povo português a decidir sobre o seu futuro;

- da unidade e convergência democráticas, que propõe de forma clara uma política patriótica e de esquerda a todos os democratas e patriotas que querem intervir e contribuir para uma ruptura na vida política nacional, disponível para o diálogo e acção no quadro do respeito mútuo;

- da verdade e da seriedade politicas, que assume e apresenta um percurso de verdade, de reconhecido respeito pela palavra dada, de honestidade, trabalho e competência, a que a vida deu e dá razão;

- do combate à politica de direita, de intervenção e luta em defesa dos trabalhadores e do povo, que marcou presença em todos os momentos que foi preciso afirmar direitos, combater injustiças, defender emprego;

- da política alternativa, com propostas e soluções capazes de dar expressão a uma política patriótica e de esquerda identificada com as aspirações dos trabalhadores e do povo português, dirigida à afirmação soberana de Portugal e vinculada aos valores de Abril;

- da única e verdadeira opção que não faltará em nenhum momento a uma política patriótica e de esquerda.

Temos pela frente a construção de uma campanha eleitoral baseada numa mobilização confiante, na acção de esclarecimento directo que permita dar a conhecer as soluções para o País, que vença resignações e conformismos.

Uma campanha de expressão e dimensão nacional, que privilegie o conjunto de questões presentes nas preocupações mas também nas aspirações populares, que contribua para esclarecer e expor as causas e origens da situação económica e social que atinge o País e a vida de milhões de portugueses, que potencie o percurso de intervenção corajosa e consequente do PCP e da CDU.

Uma campanha que de forma integrada dê tradução à ideia da acção nacional «A força do povo, por uma Portugal com futuro», amplie o contacto directo, alargue e multiplique os apoios à CDU, envolva e procure a contribuição no processo de construção do programa eleitoral, faça convergir a acção de todos os activistas da CDU que intervêm nas mais diversa frentes e estruturas.

Uma campanha que exige que em cada organização se programe o conjunto de acções e linhas de intervenção tendo presente a relação entre cada uma delas – seja, por exemplo, potenciando as iniciativas de base concelhia de envolvimento de activistas locais da CDU para recolher apoios, debater a política alternativa, mobilizar para outras acções de campanha ou, também como exemplo, ter em conta que a planificação do contacto directo com trabalhadores e população e materiais tem de estar associado à programação dos materiais de propaganda.

Uma campanha que, com audácia, aproxime, envolva e comprometa milhares de homens, mulheres e jovens sem filiação partidária, democratas e patriotas que reconhecem na CDU um património de trabalho, honestidade e competência, que sabem que reside na CDU e no seu reforço o elemento mais decisivo para a concretização de uma política alternativa.

Uma campanha que afirme com confiança que é possível uma outra política, que está nas mãos dos trabalhadores e do povo com a sua acção, a sua luta e o seu voto dar-lhe suporte e viabilidade.

Temos pela frente, muitas e exigentes tarefas, que articuladamente entre si contribuam para dar resposta à evolução da situação política, à ampliação e desenvolvimento da luta, ao indispensável reforço do Partido e da sua organização, a intervenção e preparação das eleições legislativas.

Com a consciência de que todas somam e convergem para essa luta mais geral que agora e depois seremos chamados a prosseguir para dar resposta aos problemas do País e às aspirações dos trabalhadores e do povo, para abrir o caminho da emancipação social e nacional.

Com a consciência e certeza que todas somam e convergem, em estreita ligação com os democratas e patriotas, os trabalhadores, a juventude, o povo português, para esta que luta que continua por uma política patriótica e de esquerda, por uma democracia avançada, inspirada nos valores de Abril, por um Portugal com futuro, pelo socialismo e o comunismo.

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