Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Acto de Abertura da Festa do Avante!

Abertura da 42.ª Festa do Avante!

Abertura da 42.ª Festa do Avante!

Abrimos as portas da quadragésima segunda edição da Festa do Avante!. Fazemo-lo com imensa alegria por ver o resultado de uma obra colectiva erguida a pulso pela disponibilidade e vontade militante, por disponibilidade e vontade de muitos amigos do Partido, de muitos amigos da Festa do Avante! – que a constroem, realizam e usufruem, e a tomam como sua, impulsionados pelos valores de Abril, pela solidariedade, pela paz, pela justiça social, pela luta por uma vida melhor, por um País livre e soberano.

Investimos na ampliação da área, proporcionando melhores condições aos visitantes, em particular às crianças, prosseguimos na valorização e diversificação da oferta cultural.

Era hábito todos os anos por esta altura criarem-se expectativas sobre a retoma da actividade política. Num toque de classe apelidando-a de «rentrée». Nunca fizémos comparações. Mas se quiséssemos fazê-lo não precisaríamos de invocar o Comício de domingo, bastaria mostrar a dimensão e participação neste Acto de Abertura.

Não o fazemos, porque nunca considerámos a Festa do Avante! um ponto de partida, antes um ponto alto da nossa acção e intervenção quotidiana, momento ímpar que nos dá mais força e confiança para prosseguir os combates necessários que resultam da actual fase da vida política nacional, combates que exigem ao nosso Partido prosseguir a luta, a intervenção e a proposta de reposição, defesa e conquista de direitos e rendimentos dos trabalhadores e do povo, tendo presente a imperiosa e crucial necessidade da concretização uma política alternativa que dê resposta aos graves problemas nacionais.

Os défices estruturais existentes na produção nacional, nos sectores alimentar, energético, no plano demográfico, o agravamento da situação na saúde, na educação, na cultura, nos transportes públicos precisam de respostas estruturais.

A situação nos transportes expõe de forma nua e crua as consequências das políticas de desinvestimento nas infraestruturas de desenvolvimento do País e das privatizações, da liquidação do aparelho produtivo na EMEF, por exemplo, e até da grande empresa SOREFAME que produzia carruagens que hoje tanta falta fazem.

Estes problemas que continuam a ser ampliados pelas consequências da submissão às imposições da União Europeia, não podem ilibar os governos de turno, que rodaram durante quatro décadas na execução da política de direita.

Ouvir choros e lamentos do PSD e CDS face à situação nos serviços públicos é, como diz o nosso povo, «atirar a pedra e esconder a mão», procurando rasurar da memória as responsabilidades que também têm na sua degradação.

Não deixa de preocupar o facto de, neste quadro, o Governo PS, numa questão tão relevante como é a legislação laboral, tenha soçobrado, melhor dizendo, acordado com PSD e CDS matérias como a caducidade da contratação colectiva, a manutenção da precariedade e a desregulação dos horários, tal como em relação à transferência de competências para as autarquias.

Opções e convergências que se expressam e acentuam na aceitação das imposições da União Europeia ou das que resultam dos mecanismos e constrangimentos do Euro e do espartilho da dívida e do défice, com consequências pesadas na limitação ao investimento público e na concretização do direito inalienável do País e do povo português ao desenvolvimento soberano.

A situação que hoje é vivida nos mais diversos sectores, pondo em causa os direitos à saúde, à educação, à cultura, à mobilidade, à habitação, a par dos problemas que resultam dos défices estruturais nos planos económico, social, demográfico ou de ordenamento do território, exigem ruptura com a política actual, reclamam uma outra política, uma política alternativa, patriótica e de esquerda, e um Governo capaz de a concretizar.

Sim, valorizamos os avanços, a reposição, defesa e conquista de direitos dos trabalhadores e do povo. Sim, não perderemos nenhuma oportunidade para valorizar salários, em particular o Salário Mínimo Nacional para 650 euros em Janeiro de 2019, valorizar reformas e pensões, valorizar os abonos de família, apoiar os desempregados, as pessoas com deficiência, aliviar a carga fiscal sobre os trabalhadores e suas famílias, baixar o IVA no preço da luz e da botija de gás, com a plena consciência das limitações e insuficiências dos avanços conseguidos.

Sim, sabemos que enquanto o País não se libertar dos dogmas e imposições da União Europeia e da política de direita que na sua génese tem como objectivo privilegiar e manter intocáveis os interesses do capital monopolista, o caminho do progresso continuará a ser bloqueado.

Sim, sabemos que a intervenção e os combates que travamos terão tanto mais êxito quanto mais os trabalhadores lutarem, partindo da justeza dos seus objectivos, dos seus anseios, de defesa e conquista de direitos, luta que não é delegável a quem quer que seja, mas que reclama compromisso das forças políticas. E esse compromisso o PCP assume-o.

Compromisso tanto mais duradouro e concretizável, quanto mais força tiver o PCP, com a garantia de que essa opção, dando mais força ao PCP dá mais força a quem a dá.

Que corra bem a nossa Festa do Avante!. Que a desfrutem com o olhar liberto de preconceitos, neste ano que decorre também o II Centenário do nascimento de Karl Marx, cuja actualidade e validade do seu pensamento para os combates de hoje e do futuro a nossa Festa projectará!

Por ela percorrerão, na sua expressão multifacetada, os valores de Abril.

O valor do trabalho e dos trabalhadores, o valor da política no que tem de mais nobre ao serviço dos trabalhadores e do povo, o valor da arte, da ciência, da cultura, o valor do convívio humano, o valor da infância onde as crianças e pais tenham mais direitos, num Portugal com futuro, os valores da solidariedade, da amizade e da paz.

Declaro aberta a quadragésima segunda edição da Festa do Avante!!

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